Quedas em casa: um acidente ou algo que podemos prevenir?

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Hoje, dia 24 de junho, assinala-se o Dia Mundial de Prevenção de Quedas, uma iniciativa que pretende chamar a atenção para um problema muitas vezes desvalorizado, mas com um enorme impacto na saúde e também na qualidade de vida. Quando pensamos em quedas, tendemos a encará-las como acidentes inevitáveis: um tapete que escorrega, um degrau mal calculado ou um simples momento de distração. Mas a verdade é que as quedas continuam a ser uma das principais causas de lesão, perda de autonomia e internamento, sobretudo nas pessoas mais velhas, e muitas delas acontecem dentro da própria casa. Será que podemos prevenir uma queda antes que ela aconteça? Dra. Vanessa Mendes, bom dia. Bem-vinda.
Obrigada.
As quedas são mesmo uma consequência inevitável do envelhecimento?
Não, de todo. E embora o risco aumente com a idade, as quedas não devem ser encaradas como uma consequência inevitável do envelhecimento. Sabemos que cerca de um terço das pessoas com mais de 65 anos sofre pelo menos uma queda por ano, e muitas dessas quedas têm consequências importantes, desde fraturas, internamentos, até perda de confiança, medo de voltar a cair e, por último, a redução da mobilidade. Isso é o mais importante. A boa notícia é que grande parte destes episódios pode ser prevenida.
E muitas vezes o problema está, como eu dizia, mesmo dentro de casa.
Isso mesmo. Quando pensamos em quedas, imaginamos muitas vezes a rua ou as escadas, mas a grande parte acontece efetivamente no domicílio. Tapetes soltos, fios elétricos que se atravessam, pisos escorregadios, má iluminação ou objetos espalhados pelo chão são alguns dos exemplos mais frequentes. E são pequenos detalhes que passam despercebidos no dia a dia.
Até acontecer.
É isso mesmo, mas que podem aumentar significativamente o risco e, portanto, temos que estar atentos a eles.
E o que podemos fazer para tornar a casa mais segura?
Existem medidas muito simples: garantir uma boa iluminação, sobretudo durante a noite.
Sim, mesmo que conheça os cantos da casa, não vá às escuras.
Isso mesmo. Retirar os tapetes. Eu sou muito apologista de retirar tapetes. Mas vamos dizer: tirar aqueles mais instáveis ou então fixá-los adequadamente. Manter corredores e zonas de passagem livres de obstáculos. Utilizar barras de apoio, por exemplo, nos locais de maior risco. Aqui, por exemplo, falamos das casas de banho, em particular. E assegurar que os objetos de uso frequente estão facilmente acessíveis e as pessoas não tenham que andar a subir bancos, cadotes, que também se vê. São pequenas alterações que podem reduzir, naturalmente, o risco de existir um acidente.
Mas Dra. Vanessa Mendes, a prevenção não passa apenas pela casa.
Certo, sim. O estado de saúde da própria pessoa é igualmente importante. A perda de força muscular, alterações do equilíbrio, problemas de visão ou determinados medicamentos podem também aumentar o risco de queda. Por isso, manter uma atividade física regular é uma das medidas preventivas mais eficazes. Exercícios que trabalhem força, equilíbrio e coordenação ajudam a reduzir significativamente este risco. E nunca devemos esquecer a importância da avaliação periódica da visão e também, e não menos importante, da revisão da medicação quando necessário, principalmente aqueles medicamentos para dormir, que às vezes as pessoas mais velhas costumam usar.
Pois é. O certo é que quando acontece uma queda, frequentemente dizemos: "Foi azar." Mas não é bem assim.
Nem sempre. Uma queda pode ser o primeiro sinal de um problema de saúde que ainda não foi identificado. Alterações, por exemplo, de tensão arterial, perturbações do equilíbrio, efeitos secundários de medicamentos ou até doenças neurológicas podem estar na origem de algumas quedas e, desta forma, sobretudo quando são recorrentes ou acontecem sem uma causa evidente, merecem naturalmente ser avaliadas.
Dra. Vanessa, no fundo, estamos aqui a dizer que prevenir quedas é também preservar a autonomia, a independência e, claro, a qualidade de vida.
Sem dúvida alguma, porque muitas vezes não é a queda em si que muda a vida de uma pessoa, mas as consequências que dela resultam. E talvez seja essa precisamente a mensagem que neste dia queremos passar. Muitas quedas, diria a maioria, não são de todo inevitáveis e identificar riscos, adaptar o ambiente doméstico e manter um estilo de vida ativo são medidas que são muito simples, mas que podem prevenir acidentes e preservar a autonomia durante muitos anos.
Foi mais um Tratado da Saúde com a dra. Vanessa Mendes. Até amanhã.
Até amanhã. Obrigada.
Este podcast tem o apoio CUF.
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