Pompons para embelezar as cabeças dos animais

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Quando entramos no Museu Municipal de Castro Daire, os nossos olhos batem logo, ao fundo, numa parede, num painel colorido feito de pompons. Cristina Gomes é a responsável por este museu situado no distrito de Viseu. Que painel colorido e fora do comum é este?
Este é um painel que nos leva para o nosso evento, para a nossa tradição da Última Rota da Transumância. Esta era uma tradição secular, que era a deslocação dos rebanhos do sopé da Serra da Estrela para a nossa serra de Montemuro. E eles passavam aqui durante dois meses. Esta tradição terminou em 1999 e o município de Castro Daire resolveu fazer esta recriação. Então este evento, a Última Rota da Transumância, é feito desde 2015. E estes pompons que aqui estamos a ver nesta parede, são feitos para embelezar os animais que vêm nessa rota da transumância, porque era assim que eles utilizavam também já na tradição verdadeira. Nós só recriamos, e este painel é alusivo à transumância.
Além de Castro Daire, também há outros sítios que participam nesta iniciativa.
É sim, este foi um projeto, Terras da Transumância, que o município de Castro Daire lançou o repto em 2021 a outros municípios, nomeadamente Gouveia, Seia e a Fundão, porque eles também têm lá a tradição da transumância. E então foi dado este nome ao projeto Terras da Transumância para os quatro municípios, para enaltecer as atividades que fazem cada um na sua vertente da transumância.
Conseguimos ver aqui numa imagem os animais embelezados com estes pompons. Há algum critério para aplicar estes pompons? Algum estilo a seguir? Como é que os animais são enfeitados?
Sim, os pastores também têm muita vaidade nos seus animais e quando eles vinham era uma festa. Já os pastores, quando vinham para a serra de Montemuro, ao passar por centros urbanos, eles enfeitavam os animais. Porque os animais, além de levarem os pompons enfeitados na cabeça, eles também levavam aqueles chocalhos enormes. Era incomportável eles trazerem o caminho todo aqueles chocalhos. Aqueles chocalhos só eram colocados, e os pompons, quando passavam em centros urbanos, nomeadamente quando passavam aqui no centro da nossa vila de Castro Daire, em plena Estrada Nacional nº 2.
Estes pompons, que não vêm de um sítio qualquer, aqui precisamente no Museu Municipal, há quem esteja neste momento, eu consigo ver a partir daqui, há quem esteja a fabricá-los.
É verdade, todos os dias se fazem pompons aqui na nossa oficina do pompom. Aqui um espaço dedicado à oficina, porque cada vez mais os pompons são utilizados, ou nós utilizamos os pompons para enaltecer o nosso evento, a Última Rota da Transumância, para que a nossa transumância esteja sempre presente em várias atividades que se fazem no município, e são requisitados para muitas atividades.
Conseguir formar este pompom é um processo complicado, demorado?
É sim, a técnica especialista nos pompons é a Goretti, neste momento. Ela é que poderá estar mais habilitada para falar da técnica do pompom. Mas ela pessoalmente está tão habituada a fazer os pompons que faz vários pompons por dia.
Porque aqui, pelo menos neste quadro, estão uma centena, diria mais até, centenas de pompons. São muitos, de várias cores. Podem utilizar qualquer cor para fazer este pompom, não há um critério.
É sim, para a nossa Última Rota da Transumância, temos. Porque nós temos uma T-shirt que também é alusiva ao evento e nós colocamos quatro cores, que é o amarelo, o azul, o verde e o vermelho. Essas são as cores da nossa transumância. Mas para o painel e para ficar mais colorido, utilizamos qualquer cor.
E por parte das pessoas de Castro Daire, como é que encaram este renascer da tradição?
Com muito orgulho e muita emoção para aqueles que assistiram a esta tradição na altura. Eu acho que é um reviver e é uma memória que as pessoas sentem ainda ao verem passar o rebanho naqueles dias e que este ano vai ser realizado no dia 27 e 28 de junho. Quem puder vir à nossa transumância, à Última Rota da Transumância, apareçam, porque é vivida com autenticidade, é uma experiência imersiva e que é identitária do nosso território.
São os pompons de Castro Daire, não só utilizados por os animais do território, mas também fabricados aqui no Museu Municipal. Cristina Gomes, muito obrigada.
Muito obrigada nós.
observador




