Atirador abatido junto à Casa Branca disse ser Jesus Cristo

O atirador de 21 anos abatido este sábado após abrir fogo contra agentes do Serviço Secreto dos EUA a um quarteirão da Casa Branca já tinha sido detido e referenciado pelas autoridades depois de vários incidentes relacionados com tentativas de entrar na residência do presidente norte-americano.
O Washington Post, que teve acesso aos autos do processo, noticiou este domingo que Nasire Best, natural de Dundalk, no estado vizinho do Maryland, já tinha sido detido e acusado de invasão de propriedade privada por tentar entrar na Casa Branca em 2025.
Os factos remontam a 10 de julho, quando foi impedido de entrar numa zona restrita do recinto da Casa Branca ao tentar passar por um torniquete de saída. Na altura, Best afirmou ser Jesus Cristo e disse estar a tentar ser detido, sendo que não foi a primeira vez que as autoridades travaram contacto com o jovem de 21 anos.
Segundo o processo consultado pelo jornal, o Serviço Secreto já conhecia Best por este “andar a vaguear pelo complexo da Casa Branca a perguntar como poderia aceder a vários pontos de entrada”, tendo também sido internado compulsivamente a 26 de junho por obstruir a entrada de veículos no complexo da Casa Branca.
Best foi abatido este sábado no cruzamento entre a Avenida Pensilvânia e a Street Northwest 17, junto ao Edifício de Escritórios Executivos Eisenhower, a um quarteirão da Casa Branca. O jovem abriu fogo a uma cabine de controlo de segurança, motivando uma resposta por parte dos agentes do Serviço Secreto visados.
Os funcionários não foram atingidos, mas uma pessoa que estava nas proximidades sofreu um ferimento de bala que obrigou ao seu internamento. De acordo com a Associated Press, a vítima continuava em estado grave, mas estável, este domingo.
Um amigo do atirador de 21 anos contou àquele jornal que este passou de um ser jovem apolítico, divertido e obcecado por atletismo — fazia parte da equipa de corrida da sua escola, os Dundalk Owls — para entrar numa espiral descendente.
De acordo com este ex-colega, que falou sob anonimato, os problemas de Best começaram em 2023, quando passou a ser vítima de bullying constante e acabou suspenso e impedido de terminar a época de atletismo após uma luta com outro aluno. A partir desse momento, o jovem passou a ter um comportamento ainda mais errático, sendo que em maio de 2025 começou a deixar de seguir os seus amigos nas redes sociais — alegadamente irritado por estes não aceitarem as suas alegações de que era Jesus Cristo.
Após o incidente de julho de 2025 na Casa Branca, os procuradores acusaram Best de invasão de propriedade privada. Apesar de declarar a sua inocência, o juiz ordenou que se mantivesse afastado dos terrenos da Casa Branca e foi-lhe atribuído um advogado para representá-lo no subsequente caso judicial.
Best, todavia, não só não compareceu a uma audiência marcada para 7 de agosto, como nunca se encontrou com o advogado, falou apenas uma vez com ele por telefone. Dado ter faltado à sessão, o juiz emitiu um mandado de detenção, que não chegou a ser executado por não ser considerado um caso prioritário.
De acordo com o Washington Post, falta apurar os motivos de Best para abrir fogo perto da Casa Branca, tendo o atirador sido descrito pelo presidente Donald Trump este sábado como tendo “historial de violência” e vivendo “obcecado pelo edifício mais amado da nossa nação”. O jovem, todavia, indicou a sua filiação partidária como republicana quando se registou pela primeira vez para votar em 2022, referem os documentos legais.
A mãe de Best também já se pronunciou quanto à morte do filho, revelando ao jornal norte-americano que só teve conhecimento do incidente trágico na noite de sábado e através das redes sociais. “Ainda estou em estado de choque neste momento”, afirmou, defendendo que o jovem “nunca foi violento, independentemente do que as pessoas estão a publicar”.
Este é mais um de uma sequência de incidentes violentos a visar direta ou indiretamente Donald Trump, ocorrendo apenas um mês após o tiroteio no jantar dos correspondentes da Casa Branca, onde o Presidente dos EUA e alguns dos membros mais importantes da sua administração se encontravam.
Donald e Melania Trump retirados do Jantar de Correspondentes após disparos. Atirador detido
O chefe de Estado usou este novo ato de violência para justificar a remodelação que quer fazer na Casa Branca com a construção de um salão de baile, dizendo que “serve para mostrar como será importante para os futuros presidentes terem aquilo que vai ser o espaço mais seguro do género alguma vez construído em Washington. A segurança nacional do nosso país assim o exige”.
observador



