Uma rede nacional de fábricas inteligentes colaborativas

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Eu acho que Portugal deveria criar a primeira rede nacional de fábricas inteligentes colaborativas da Europa. Que no fundo, o que é? É ligar indústrias, universidades, centros tecnológicos numa plataforma de inteligência artificial, automação e energia limpa comum. Qual é a base disto? O futuro da indústria portuguesa não está em competir pelo custo mais baixo, já sabemos isso, não é aí que nós conseguimos acrescentar valor. Está em competir pela velocidade, pela flexibilidade e pela capacidade de personalização. Nós somos muito mais competitivos em mercados e produtos de especialidade, do que somos em mercados e produtos massificados. Para isso, nós temos a dimensão para ser rápidos, temos o talento técnico, temos capacidade industrial instalada, temos uma vantagem que muitos países perderam, que é a proximidade entre empresários, território e decisão, pela nossa dimensão. E, portanto, a nossa grande oportunidade é transformar Portugal, as pequenas e médias indústrias em indústrias aumentadas ou ampliadas pela tecnologia. Um exemplo: uma empresa metalomecânica em Famalicão, uma empresa têxtil em Guimarães, uma empresa agroindustrial em Ponte de Lima, por exemplo, deveriam conseguir aceder a ferramentas de IA, robótica, simulação digital e eficiência energética como um serviço partilhado. Isto permitiria que elas conseguissem escalar mais depressa, conseguiriam produzir em maior quantidade, com maior margem, com menos desperdício e com maior capacidade de exportação. No fundo, a sugestão aqui é o Minho ser uma espécie de laboratório natural dessa reindustrialização portuguesa, mais tecnológica, mais qualificada e obviamente também mais humana. Nós vivemos uma realidade económica onde claramente o futuro da indústria não é decidido pelo tamanho dos países, nem pela dimensão apenas territorial. É decidido pela inteligência com que organizam, utilizam e potenciam o seu conhecimento. E isto para Portugal é uma oportunidade única, porque eu diria que na história da humanidade nós nunca tivemos uma conjuntura onde a nossa reduzida dimensão fosse uma mais-valia. Portanto, esta plataforma, tendo em conta que 99% das empresas portuguesas são PMEs, permite criar uma espécie de plataforma partilhada de recursos tecnológicos digitais, que potenciam o crescimento das empresas, mas que o fazem de uma forma acessível para empresas da dimensão que nós temos hoje. Como é óbvio, chegar a uma PME e fazer um projeto de investimento de milhões em desenvolvimento em inteligência artificial ou em eficiência energética é objetivamente impossível, porque a escala, a dimensão da empresa não o permite. Portanto, nós temos que criar esta dimensão colaborativa entre as empresas e acho que é fácil entender que é mais viável criar isso num país como Portugal, onde a dimensão do país cria proximidade entre as empresas, os agentes decisores, a própria dispersão territorial, do que num país, por exemplo, como os Estados Unidos, que é extremamente grande e onde esta operação seria extremamente difícil. Isto é uma forma de usarmos o nosso tamanho como uma mais-valia numa conjuntura macroeconómica, que neste momento está a olhar para aquilo que é a especialização e a capacidade de aceleração produtiva.
O Conselho Industrial dá voz a protagonistas importantes da economia portuguesa, que o Observador reuniu em torno da Cimeira da Indústria. É uma parceria com a AE Minho, com o apoio do Município de Braga, PwC, Tabaqueira, Siemens, Elior e Derichsburg Facility Services, Universidade Católica Portuguesa e BPI.
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