Holanda: Copa do Mundo de Cinema

Em 12 participações na Copa do Mundo da FIFA, a Holanda (nome mais conhecido dos Países Baixos entre nós, no Brasil) chegou muito perto do título em três ocasiões, quando ficou com o vice-campeonato: 1974, 1978 e 2010. A Laranja Mecânica tentará, nesta edição, conquistar a tão sonhada taça tendo como líder o técnico Ronald Koeman, que já havia dirigido a seleção nas Copas de 1990 e 1994.
Para conquistar a vaga para o Mundial 2026, a seleção neerlandesa teve que disputar as Eliminatórias da UEFA e superar adversários como Polônia, Finlândia, Malta e Lituânia.
As origens do cinema holandês remontam a 1896, quando a comédia Gestoorde Hengelaar, de MH Laddé, foi lançada como o primeiro filme de ficção produzido no país. Historicamente, a indústria cinematográfica da Holanda é de pequena escala, contando, na maioria das vezes, com o financiamento estatal. Mas houve períodos em que o cinema do país vivenciou uma maior produtividade, como durante a Primeira Guerra Mundial e os anos 1930. Por sua vez, em 1946, foi fundado o Arquivo Histórico de Filmes da Holanda, que mais tarde se tornaria o Nederlands Filmmuseum, atual Eye Filmmuseum.
A Holanda possui uma longa tradição no cinema documental, com destaque para os documentários feitos após a Segunda Guerra Mundial, como os curtas Houen Zo!, Faja Lobbi e Glass, todos ganhadores de premiações em festivais como Cannes, Veneza e Berlim. Não à toa, o maior festival cinematográfico dedicado ao cinema documental é o Festival Internacional de Cinema Documentário de Amsterdã. Destaque-se, também, os grandes cineastas legados à sétima arte pelo país, tais como Fons Rademakers, Bert Haanstra, Joris Ivens, Paul Verhoeven e Marleen Gorris.
Para representar a Holanda na Copa do Mundo de Cinema, a escolha não poderia ser melhor. O TemQueVer e o Cine Mulholland escolheram o curta-metragem Mirror of Holland (Spiegel van Holland, no título original em neerlandês), do diretor Bert Haanstra. Lançado em 1950, o filme foi o vencedor do Grande Prêmio de Curta-Metragem no Festival de Cannes. Com apenas nove minutos, trata-se de um divisor de águas na história do cinema holandês e é uma joia do documentarismo poético mundial.
A grande genialidade da obra reside em uma premissa conceitual vanguardista e de execução impecável. Bert Haanstra filma sua nação - suas paisagens, moinhos, gados, árvores, barcos e arquitetura - inteiramente através do reflexo nas superfícies ondulantes de águas e canais. Na sala de montagem, ele inverte a imagem verticalmente. O que assistimos, portanto, é um mundo invertido, onde a água serve de tela líquida para uma realidade flutuante, distorcida e impressionista. O diretor opera em um elevado nível de controle geométrico e rítmico. O curta rejeita qualquer narração voice-over, confiando a progressão narrativa estritamente à montagem e à trilha musical jazzística e sincopada de Max Vredenburg.
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