Bienal de Veneza: O tempo das borboletas

Debruçadas no terraço do Fondaco Marcello, rente à água, com o Grande Canal a passar debaixo do chão de madeira, pasmamos a olhar para aquela selva de estacas de carvalho e de larício, que são os habitantes mais imutáveis de Veneza. Ana Baliza, uma das curadoras do Pavilhão de Portugal na Bienal deste ano, junto com Ricardo Nicolau, solta a exclamação: “E não apodrecem!”
Não apodrecem porque estão enterradas em água e lama, desprovidas de oxigénio. Isso faz com que as estacas, que sustentam o peso de toda a cidade, sofram um processo de mineralização, tornando-se duras como pedra. Tal como a Bienal de Veneza, essa entidade que tem tanto de fugaz como de permanente, marca cravada na cidade, mineralizando a impressão que certas obras nos deixam. Como pedra.

Alexandre Estrela
Arte e ciência
Durante a visita ao projeto RedSkyFalls, que ocupa o Pavilhão de Portugal, paramos várias vezes porque um terramoto está a acontecer algures na Terra e, ao receber os dados das atividades sísmicas através da API – Application Programming Interface do Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a instalação assinala ruidosamente o evento. Alexandre Estrela é o representante oficial de Portugal na 61.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza de 2026.
Visao



