Calcinhas e copos menstruais: PFAS detectados em todos os protetores femininos reutilizáveis

PFAS em 33% das calcinhas menstruais
Desta vez, foram encontrados em produtos de higiene feminina reutilizáveis. Calcinhas menstruais, absorventes higiênicos reutilizáveis, coletores menstruais e roupas íntimas e absorventes reutilizáveis para incontinência — um total de 59 produtos foram testados. Todos continham PFAS. Mas, em quase 30% deles, foram encontrados níveis consistentes com o uso intencional pelo fabricante. Calcinhas menstruais e coletores menstruais apresentaram os maiores níveis de uso intencional de PFAS, com 33% e 25%, respectivamente.
“Com o aumento do número de produtos reutilizáveis devido à sua maior durabilidade em comparação aos produtos descartáveis, é importante garantir sua segurança. Isso é crucial, especialmente para adolescentes e mulheres jovens, que são mais vulneráveis aos efeitos potencialmente nocivos dos PFAS para a saúde”, afirmou a Professora Marta Venier, principal autora do estudo, em um comunicado à imprensa. “Os produtos de higiene feminina permanecem em contato prolongado com a pele, e os riscos associados à absorção cutânea de PFAS, particularmente os PFAS neutros (mais voláteis, nota do editor), ainda são pouco compreendidos.” Deve-se notar também que as membranas mucosas são muito mais permeáveis do que a pele.
Um dever de transparência por parte dos fabricantes
“Um dos PFAS mais abundantes detectados em produtos no mercado norte-americano é o 8:2 FTOH, um produto químico removido voluntariamente das embalagens de alimentos pelos fabricantes, em conformidade com a FDA, devido à sua persistência no corpo após exposição alimentar”, disse Sydney Brady, doutoranda no laboratório de Marta Venier. O 8:2 FTOH se converte em PFOA, que é classificado como cancerígeno humano pela IARC.
Embora os riscos associados à exposição cutânea ainda não estejam bem definidos, o princípio da precaução deve ser aplicado e as consequências da absorção cutânea devem ser estudadas mais a fundo. Isso é especialmente verdadeiro porque pelo menos um produto em cada categoria não continha intencionalmente traços de PFAS. Portanto, é possível que os fabricantes produzam produtos mais seguros.
Marta Venier também enfatiza a necessidade de transparência por parte dos fabricantes. "Os consumidores precisam saber que a composição de um produto nem sempre está indicada na embalagem. Uma maior transparência por parte dos fabricantes ajudaria os consumidores a tomar decisões informadas sobre compras para si e para suas famílias."
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SudOuest