Exames à porta: os sinais que os pais não devem ignorar!

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Tratar da Saúde com a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Doutora, bom dia.
Bom dia.
Estamos a entrar numa altura particularmente exigente para muitos jovens. Testes finais, exames nacionais, escolhas académicas e uma enorme pressão para ter bons resultados. Mas até que ponto o estresse dos exames é normal? E quando é que deixa de ser uma reação saudável e passa a ser um problema? Doutora, devemos estar mais atentos à ansiedade escolar nesta altura do ano, não é?
Sim, porque é importante perceber que algum grau de estresse é perfeitamente normal. Na verdade, há uma certa ativação que ajuda a concentração, a motivação e até uma melhoria no desempenho. O problema surge quando a ansiedade se torna excessiva e começa a interferir com o estudo, o sono, a alimentação ou até o bem-estar emocional do jovem, da criança. Nestes casos, aquilo que deveria ajudar a preparar um exame passa a prejudicar. E, portanto, o desempenho, a saúde mental até.
Então e quais são os sinais que devem alertar os pais?
Na verdade, existem vários sinais que merecem atenção, nomeadamente alterações significativas do sono, irritabilidade, crises de choro frequentes, dor de cabeça, dores abdominais recorrentes ou até perda de apetite podem ser manifestações físicas da ansiedade. Alguns jovens desenvolvem também dificuldades de concentração, evitam estudar ou apresentam um medo excessivo de falhar. E é importante perceber que a ansiedade nem sempre se expressa verbalmente.
Guardam, não é?
Muitas vezes manifesta-se através de comportamento ou de sintomas físicos.
O que os pais podem fazer para ajudar?
Pedir uma ajuda.
Como é que podem resolver isto?
O primeiro passo é criar um ambiente de apoio e não de pressão adicional.
Claro.
Naturalmente, a criança não precisa. Os jovens precisam sentir que o seu valor não depende exclusivamente daquela nota, daquele exame e é importante ajudar a organizar rotinas de estudo realistas, promover pausas regulares e garantir horários adequados de sono. O descanso continua a ser uma das ferramentas mais importantes para a aprendizagem e consolidação da memória.
E acima de tudo, a concentração.
Sim. E acima de tudo, os pais devem estar disponíveis para ouvir sem julgar.
E há hábitos que podem agravar essa ansiedade nesta altura?
Sim, sem dúvida. A privação do sono. Aqui batemos sempre na mesma tecla, mas é muito importante. A privação de sono, o excesso de tempo de ecrã e a utilização de telemóvel até tarde são fatores frequentemente associados a pior desempenho académico e maior ansiedade. Sabemos também hoje que o sono tem um papel fundamental na memória, na atenção e na regulação emocional e, portanto, dormir menos para estudar mais raramente é uma estratégia que é eficaz.
E quando é que devemos procurar ajuda profissional?
Quando a ansiedade começa a ter um impacto significativo no funcionamento diário do jovem. Se existe sofrimento emocional persistente, o isolamento, a recusa em ir à escola, alterações marcadas do sono ou até da alimentação, uma quebra importante no desempenho, deve naturalmente ser procurada a avaliação médica ou até psicológica. Quanto mais precoce for a intervenção, melhores tendem a ser os resultados.
Portanto, sentir algum nervosismo antes de um exame é normal, mas não devemos ignorar sinais de sofrimento, podemos dizer assim.
É isso mesmo. Os exames fazem parte do percurso escolar. Todos nós passamos por essa fase, mas não definem o valor nem o futuro de uma criança ou de um jovem. E, portanto, o objetivo deve ser promover desempenho académico, mas também saúde mental e equilíbrio emocional. Porque naturalmente, formar jovens saudáveis é tão importante quanto formar bons alunos.
E não é preciso ser excelente em tudo.
Não, é isso mesmo.
[email protected], para onde pode enviar as suas dúvidas. Se preferir, também pode enviar o áudio por WhatsApp, a sua mensagem de voz para 910024185. Doutora Vanessa Mendes, até segunda.
Até segunda. Bom fim de semana.
observador



