Tubarão azul caça gigante e quer eliminar rei do mundo

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Agora sim, Minuto 90 na Rádio Observador. Eu sou o Fortunato de Oliveira, comigo está o João Lourenço, que esteve a acompanhar estas duas partidas absolutamente decisivas e que terminaram com esse momento histórico para Cabo Verde. Vamos agora às notas da crônica. Olhamos primeiro para, não sei por que jogo queres começar.
Queremos começar pela pérola que, acima de tudo, é a ilha de Cabo Verde. No seu geral, não vamos dar a pérola à ilha total, vamos ter que nos focar no jogo, Hugo, e vamos focar num defesa central, é Dineye Borges, do Al Bayet. Esteve muito bem no capítulo defensivo, porque é certo que Cabo Verde teve sinal mais no que toca à totalidade da partida, mas houve alguns lances que causaram alguns arrepios aos comandados de Bobista, mas para tentar apaziguar as tropas, teve lá Dineye Borges. Também no capítulo do passe progressivo e entrelinhas esteve bastante bem. Dar conta dessa performance do central de Cabo Verde.
E agora vamos a esse joker. Quem foi o improvável deste jogo, que poderá ou não ter brilhado?
Olha, é colega de Cristiano Ronaldo, é jogador da Arábia Saudita e se de um lado houve um Dineye Borges a impedir alguns calafrios pra seleção de Cabo Verde, houve acima de tudo um Al-Haram, central de 29 anos do Al-Nassr, que sem dúvida foi um anjo da guarda para a seleção da Arábia Saudita, principalmente no segundo tempo, onde a equipe de Bobista teve vários ataques, principalmente pelos flancos, com a entrada também do Lars Duarte. Houve a ausência de Telmo Arcanjo, que está lesionado, mas acima de tudo os homens que entraram da seleção de Cabo Verde causaram bastante calafrios. Eu já tinha dado o joker na primeira partida da Arábia Saudita neste Campeonato do Mundo. Na altura, frente ao Uruguai, tinha dado o joker este Al-Haram, central de 29 anos do Al-Nassr. Destaco pela sua capacidade no jogo aéreo, destaco pelo seu bom timing nos cortes que efetua na zona defensiva, não prejudicando qualquer tipo de entrada mais fora de tempo e consequente, neste caso, ação faltosa. Tentou, conseguiu impedir o gol de Cabo Verde, não conseguiu marcar como na altura marcou um gol para a seleção da Arábia Saudita, na altura nessa partida frente ao Uruguai. Manteve a baliza a sérios, mas certamente não será um jogo que vai ficar na história, até porque também, à semelhança do Uruguai, está eliminado desta competição.
Falamos agora da sentença. Prevejo que seja esse final histórico para Cabo Verde ou então esse gigante que tem pela frente.
Exato. E quem não gosta de uma boa história de David contra Golias, não é, Hugo? É uma história-
É um clássico.
Exato. E que vai certamente ser vivida nos próximos dias, visto que estamos a falar de Cabo Verde, a primeira presença de Cabo Verde.
O improvável.
O improvável, que só por si já era meritório estar presente nesta competição, apesar de se ter alargado para muitas mais equipes e pela primeira vez haver um formato onde está contemplado os 16 avos de final da prova. Mas acima de tudo, Cabo Verde, primeiro estar presente num Campeonato do Mundo. E eliminar Uruguai? Eliminar uma equipe que tem grandes valores individuais, jogadores que estão presentes em várias equipes que já foram, não tão assim há pouco tempo, campeões da Europa. Estou a falar diretamente de Federico Valverde, que quando saiu do Real Madrid, por ordem de Marcelo Bielsa, estava visivelmente triste, visivelmente frustrado. Há também outros jogadores, Darwin Núñez, o próprio Rodrigo Bentancur. E Cabo Verde, o gigante Cabo Verde, conseguiu eliminar. É certo com três empates, mas pra história fica essa eliminação. Mas há agora um muro. Muro, não digo. Uma montanha, uma das montanhas grandes do futebol mundial. Estamos a falar da atual campeã do mundo. Estamos a falar do último mundial de Lionel Messi. Pés bem assentes no chão, cabeça fria, festejar hoje, porque tem que se festejar, certamente.
Mas com contenção, porque o futuro é difícil.
Mas acima de tudo, com racionalidade, mais do que contenção, porque acho que hoje não há que haver contenção nenhuma. É mesmo um momento histórico, mas acima de tudo os próximos dias serem vividos com uma grande racionalidade, com uma grande frieza, com uma grande maturidade, que eu acho que Bobista e acima de tudo alguns elementos de Cabo Verde que estão a militar em emblemas com outra dimensão, acho que há sempre direito a sonhar no futebol. O futebol é por isso que é o ópio do povo. Não é uma coisa que seja certa, não é matemática, é algo que pode encantar, pode causar surpresa, pode ser o mais improvável dos acontecimentos. É isso que traz magia ao futebol. E quem é que me diz a mim, a estas horas, estamos às 15h17 a gravar esta crônica do Minuto 90 e a celebrar, acima de tudo, a vitória de um país que fala a língua de Camões, que fala a língua de todos nós e que acima de tudo tem o direito a sonhar frente à Argentina. E já agora aqui que ninguém nos ouve, seria giro Lionel Messi ficar já arrumado da competição pra Ronaldo ter algum ânimo.
Certeza que Ronaldo gostaria muito disso. E fechamos agora com a mentira desta primeira crônica.
Muito simples, falta de gols. Eu gosto de futebol com gols, não houve gols, por isso um bocado triste.
Soube a pouco.
Soube a pouco, mas acima de tudo, deve ter sido o 0 x 0 mais saboroso da história de Cabo Verde. Mas não houve gols, por isso é mentira, porque futebol é gols, por isso.
E passamos agora à crônica do segundo jogo. Vamos a isso.
observador


