Rock in Rio: a Seleção foi cabeça de cartaz, mas sem os hits

Suzete e Luís Lopes, de 63 e 67 anos, respetivamente, estão sentados um pouco mais atrás e, apesar de não terem adorado a ideia, perceberam que assistir ao encontro no recinto seria a decisão mais acertada. “Viemos ver o Rod Stewart e a Cyndi Lauper, mas já não tínhamos pernas para nos despacharmos a chegar a casa. Ou víamos os concertos ou víamos o jogo. Olhe, vemos aqui. Não sei é se me levanto no final”, admite Suzete.
Às 00h25, porém, ainda consegue pôr-se de pé para cantar o hino nacional. Há alguns cachecóis esticados no ar, centenas de pessoas vestem a camisola da Seleção Nacional e há um aplauso estridente que explode quando surge Diogo Jota [que morreu há cerca de um ano num acidente de viação] no ecrã do estádio de Miami, EUA.
Acabada a música, tudo se senta ordeiramente. Os dois ecrãs laterais transmitem o encontro e o mesmo acontece com o ecrã ainda maior que está no centro do palco. No entanto, aí começam agora as desmontagens, o que atrapalha e distrai o público.
As placas que emolduram o Palco Mundo têm luzes que exibem as cores de Portugal: verde, amarelo e vermelho. O espaço onde, na hora dos concertos só se vislumbram cabeças amontoadas que ao longe parecem alfinetes, tem agora muitas opções para estender uma toalha (há festivaleiros profissionais que trazem tudo de casa) para sentar ou, em alguns casos, deitar.
O entusiasmo sente-se como uma vibração que se propaga, nem sendo preciso que o animador apareça nas pausas para pedir “energia para chegar aos EUA”, mas a primeira meia hora não dá basicamente nenhum momento de emoção ao público. Aos 38 minutos ouve-se o primeiro “aw” de desânimo com o remate de Bruno Fernandes às mãos do guarda-redes colombiano e, aos 44, a defesa do guarda-redes Diogo Costa vale mais palmas do que qualquer ataque da Seleção portuguesa — os poucos adeptos colombianos no recinto têm mais momentos de “quase lá” e não se inibem de se levantar e “quase” festejar.
Ao intervalo, sobem ao Palco Mundo “os homens do barco”, o grupo de amigos que criou uma versão de Canção do Engate, de António Variações, com uma letra dedicada à Seleção — e muita gente no público conhece-a toda.
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