Portugal que se prepare! Colômbia caótica pode ser problema

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Abrimos agora o Minuto 90 da Rádio Observador. Olá, o meu nome é Teresa Freire, comigo está o jornalista Martim Madeira. Estamos a acompanhar os minutos finais do jogo entre a Colômbia e a República Democrática do Congo, do grupo K, o mesmo que Portugal. Vamos no minuto 86. Olá, Martim.
Olá. Já está, 1 x 0 para a Colômbia. Nós quando tínhamos dado conta deste jogo ainda estava tudo 0 a 0. Eu até tinha dito que, durante o noticiário, não perspectivava quaisquer gols nesta segunda parte, porque a Colômbia já tinha tirado o pé do acelerador. A verdade é que aos 76 minutos acabei por ficar provado errado. Daniel Muñoz, o lateral direito/extremo direito desta equipe da Colômbia, acabou por marcar o primeiro e único gol da Colômbia neste jogo. Foi através de um passe para o lado direito, onde Daniel Muñoz apareceu junto ao bico da grande área e com o remate com o pior pé, de pé esquerdo, meteu a bola no lado contrário, um remate aberto para o lado esquerdo e o guarda-redes da República Democrática do Congo, Mpasi Nzau, que durante o jogo até teve uma excelente exibição, fez uma exibição praticamente exímia até este gol. Mas se não fosse Mpasi Nzau, a República Democrática do Congo já teria sofrido muitos mais gols. Depois também Luis Díaz fez e está a fazer um grande jogo. O extremo esquerdo colombiano, de facto, conseguiu marcar dois gols, mas foram os dois anulados por estar ligeiramente fora de jogo. Não foi muito fora de jogo, foi ligeiramente fora de jogo e um deles é um excelente gol, um chapéu por cima do guarda-redes da República Democrática do Congo, mas acabou por ser fora de jogo e esse gol acabou mesmo por ser anulado. A Colômbia esteve a jogar bem durante a primeira parte toda. Tinha feito 17 remates só na primeira parte, seis deles foram à baliza. Só que na segunda parte houve duas alterações que acabaram por estragar um pouco a dinâmica da Colômbia. Neste caso, foi a saída de Luis Javier Suárez, do Sporting, e depois também a saída de James Rodríguez. Isto porque a Colômbia esteve a maior parte do jogo a jogar num 2-3-5 ofensivamente. Também é normal, a Colômbia teve mais bola e a maior parte do tempo esteve neste 2-3-5, os dois centrais a ficarem mais atrás. Depois, para terem uma noção, vamos imaginar que, por exemplo, a bola começa do lado direito e é o médio do lado direito que tem a bola, por exemplo. O que acontecia é que Puerta, que é o médio do lado direito, tinha a bola nos pés. Lerma ficaria diretamente ao lado de Puerta e ficaria a defender qualquer possível contra-ataque do Congo, ficaria ali alerta e tirava qualquer hipótese de contra-ataque da República Democrática do Congo. Já o médio do lado esquerdo, Jhon Arias, esteve constantemente a aparecer por trás de Luis Díaz, por trás da defensiva do Congo. Depois, estes cinco na frente compunham-se por Muñoz, o lateral direito, acabou também por marcar o gol. E agora temos o momento em que o Congo está a ir para o ataque, mas a Colômbia acaba por limpar. Vamos só ver estes minutos finais, já volto a esta explicação. Agora o remate do Congo e uma grande defesa por parte de Cláudio Vargas. Foi o recém-entrado do Congo, número sete, Nathaniel Mubuku, com remate de muito longe, cerca de 25 metros da baliza, a ter que se esticar completamente o guardião colombiano e com uma palmada com a mão esquerda a desviar esta bola para canto e o Congo agora aqui a pressionar um pouco mais. Isto porque o Congo quer, obviamente, passar neste grupo e esta derrota não serve. Serve, se calhar, para um melhor terceiro, mas não serve agora para conseguir passar. É canto para o Congo, do lado direito. Já vamos nos 90 mais um. O árbitro acabou por dar seis minutos de descontos, agora numa altura em que há alguma confusão, não se percebe bem por quê. Foram os jogadores do Congo e da Colômbia que estiveram às turras, estiveram-se a agarrar mutuamente. O árbitro da partida foi lá com certeza avisá-los para pararem com isso. Agora, sim, vai ser batido o canto. Não, não vai ser batido o canto, porque mais uma vez caiu um jogador da Colômbia para o chão, porque eles continuam na confusão e até os jogadores do Congo, o capitão do Congo, Mbemba, está a rir-se à gargalhada desta situação, porque é a segunda vez que Lucumi se atira para o chão. Foi empurrado por um dos homens do Congo e atirou-se para o chão novamente. Portanto, o canto acabou por não ser batido e com isso já perdemos um minuto.
Se calhar é o que a Colômbia quer. Agora perder tempo sem jogar.
Exatamente. Vem agora o canto, batido do lado direito, Mubuku a meter na área, mas a bola a bater na defesa da Colômbia, que mete para lá da linha de fundo e é novamente canto para esta República Democrática do Congo, exatamente do mesmo lado, exatamente o mesmo homem a bater. Vai ser Nathaniel Mubuku, do lado direito, pronto para bater, o extremo número sete, e caiu mais um homem da Colômbia no chão.
E outra vez confusão.
Outra vez confusão. Acho que a Colômbia está Com medo que o Congo marque gol nestes segundos. Vem Mobuko para bater a bola no primeiro poste, o cabeceamento vai para dentro, mas agarra Cláudio, o guarda-redes da Colômbia, Cláudio Vargas, a agarrar esta bola, cabeceamento de Mbemba que acabou por ressaltar em, penso que foi Richard Ríos, da Colômbia. A bola ia pro canto inferior esquerdo e Cláudio Vargas com uma defesa a agarrar esta bola, a ter que se esticar para agarrar esta bola que ia ao canto inferior esquerdo, acabou por conseguir impedir este possível gol da República Democrática do Congo. Agora, Cláudio Vargas está a colocar a bola no chão, vai prosseguir com a partida o árbitro, porque parece ter marcado alguma falta, não se conseguiu perceber o que aconteceu, e agora Cláudio Vargas vai bater a bola para a frente, vai para os homens da Colômbia. Entretanto, já recuperado pelo Congo. Grande confusão, porque Lerma acaba de receber um amarelo, derrubou um dos jogadores da República Democrática do Congo com alguma força excessiva, acabou por levar um amarelo. Aliás, deu uma cotovelada na cara de Mobuko e acabou por levar um amarelo, nem reclamou, percebeu bem o que tinha feito e agora o jogo está extremamente físico nestes minutos finais. Não esteve assim durante a maior parte da segunda parte, teve que entrar até um delegado, porque uma bola foi mandada para dentro do campo. Este jogo está um bocadinho louco agora. Bolas a entrar dentro do campo, jogadores a cair no chão. Acho que a Colômbia está a fazer tudo para perder tempo, porque a bola veio exatamente do banco da Colômbia. E mais uma bola para dentro do campo. É impressionante. A bola acabou por ser batida pelo Congo.
Portanto, agora há duas bolas em campo.
Duas bolas em campo e acho que as táticas da Colômbia para parar o jogo estão inovadoras e estão a esgotar-se, porque mandaram duas bolas para dentro do campo a ver se paravam o jogo por completo. Os sul-americanos normalmente são conhecidos por estas artimanhas. A Colômbia não é exceção, claro. Quer segurar esta vitória, mas não vale tudo. Não vale colocar bolas adicionais dentro do campo. A bola, entretanto, vai ser pontapé de baliza para a Colômbia, Cláudio Vargas preparado para bater com o pé esquerdo, já a mandar para cima e conseguir segurar a Colômbia. Cai mais um jogador no chão, é falta para a Colômbia, junto ao círculo central. Os colombianos estão a conseguir aqui perder algum tempo. Richard Ríos foi o jogador que caiu no chão, jogador do Benfica. Entretanto, a Colômbia vai bater o livre. É Quintero. A rematar à baliza, bem, um bocadinho por cima.
Na direção da baliza.
Na direção da baliza, mas diretamente para fora. Foram mais três pontos para o País de Gales, no rugby, se calhar, é mais rugby isto. Entretanto, a bola já foi batida agora pelo Congo, tentar segurar os Leopardos, mas não conseguir e a Colômbia a recuperar rapidamente a bola. Sai outra vez pela linha lateral, é lançamento para a República Democrática do Congo no momento em que faltam 10 segundos de jogo, 10 segundos para terminar esta partida e pode ser o último ataque do jogo. Vai o Congo pelo lado esquerdo. É Mobuko, vai tentar o cruzamento pra área, mas corta a Colômbia. Entretanto, ainda ganha fora da meia-lua e o árbitro apita para o final desta partida. A Colômbia vence a República Democrática do Congo por um a zero e mete alguma pressão para Portugal, porque agora temos que ganhar a Colômbia para passar em primeiro. Vamos fazer a crônica de jogo.
Vamos às notas da crônica, olhamos para o jogo entre a Colômbia e a República Democrática do Congo, do grupo K, o mesmo que Portugal. Sempre atento a esta partida esteve o jornalista Martim Madeira. Martim, começamos pela pérola, quem é que foi pra ti o melhor?
O melhor foi Mpasi Nzau, o guarda-redes do Congo, fez sete defesas, o guarda-redes foi responsável pelo Congo não ter sofrido, pela República Democrática do Congo não ter sofrido mais gols. Aliás, se não fosse o guarda-redes, a Colômbia estaria a ganhar pelo menos desde o início, pelo menos seis remates no início foram à baliza, portanto, pelo menos três deles foram muito perigosos e levaram a grandes defesas. Portanto, o guarda-redes da República Democrática do Congo fez uma grande exibição, apesar de ter sofrido um gol no final, mas fez uma grande exibição e merece aqui o destaque como a pérola.
E quanto ao joker, o que foi improvável pra ti neste jogo?
Improvável, para mim, foi a exibição do Congo? Não, a exibição do Congo não, mas a exibição de Daniel Muñoz, foi o joker aqui. Daniel Muñoz não só foi o homem do jogo para a FIFA, já foi confirmado, também marcou o gol, é normal. Eu diria Daniel Muñoz e todo o ataque da Colômbia. Uma Colômbia tão organizada, tão disruptiva, se calhar essa é a melhor palavra, esta Colômbia. Estiveram num dois, três, cinco, como eu estava a dizer. Eles faziam várias permutas, portanto Daniel Muñoz era o lateral-direito, mas estava na posição de extremo-direito, isto porque James Rodríguez, que era o extremo-direito, estava em todo o lado, tinha uma posição muito flexível, estava sempre a correr de um lado para o outro. Depois estava no lado esquerdo do meio-campo, depois estava no lado direito. Portanto James Rodríguez fazia esta posição e Daniel Muñoz aparecia muitas vezes nas costas da defesa do Congo como extremo-direito, na tal linha de cinco que falávamos, que também continha Luis Díaz, que estava sempre a entrar por dentro como extremo-esquerdo. Também Murillo fazia esse papel de defesa esquerdo, mas era apenas aberto na lateral para conseguir ir para os cruzamentos e conseguir aparecer nas costas da defesa. E portanto, é uma Colômbia com muitas permutas, muitas trocas entre posições e isso dificulta muito a marcação individual dos jogadores. O Congo, quando jogou contra Portugal, teve marcações à zona muito bem conseguidas. Isso porque Portugal também não conseguiu quebrar essa marcação à zona do Congo e a Colômbia conseguiu fazer exatamente o que Portugal devia ter feito. Trocou completamente as posições à equipa do Congo e a equipa do Congo não conseguiu marcá-los à zona. Estavam sempre com dúvidas em quem é que tinham que marcar, porque vinha James Rodríguez, depois vinha Luis Díaz, depois descia Luis Díaz, subia Arias, depois do Arias descia, vinha o Cuellar para a frente, sempre com esta linha de cinco a rodar, porque o Arias ficava na posição dos dois médios. Entretanto, o Cuellar estava à frente, depois o Cuellar descia para ir para fazer a posição de médio, subia o Arias e era sempre esta troca, o James Rodríguez em todo lado. Portanto, parece confuso, era suposto ser confuso, se parece confuso o que eu estou a dizer, era esse o objetivo da Colômbia e Daniel Muñoz foi um dos grandes destaques dessa confusão, porque através dessa confusão, Daniel Muñoz apareceu muitas vezes dentro da área como extremo-direito e acabou por marcar o gol nessa posição. Portanto, é o meu joker.
Agora temos a sentença, o que é que fica deste jogo?
Fica que infelizmente a Colômbia pode ficar em primeiro deste grupo, tem seis pontos, em princípio já passou para a próxima fase. O Congo vai ter que lutar por um melhor terceiro, vai jogar também contra o Uzbequistão e portanto com uma vitória até pode chegar ao terceiro lugar. Mas Portugal agora vai ter um jogo muito complicado contra a Colômbia e vai ser obrigado a ganhar este jogo contra a Colômbia para conseguir ficar em primeiro.
E fechamos com a mentira, o que é que deveria ter acontecido, mas não aconteceu, Martim?
A mentira para mim é as substituições da Colômbia. Portanto, substituições que não se compreenderam e neste caso falo da substituição de Luis Suárez e de James Rodríguez, mas mais especificamente de James Rodríguez. O treinador colombiano tinha uma equipa que estava muito bem oleada, a funcionar muito bem com James Rodríguez a ser o ponto principal desta equipa colombiana e quando tirou o número 10 e o capitão para meter Quintero, perdeu-se completamente essa imprevisibilidade, essa dinâmica e essa liberdade posicional que James Rodríguez estava a dar à Colômbia e o que fez com que depois a Colômbia tivesse menos oportunidades de gol, apesar de ter feito o gol já com James Rodríguez fora do campo, mas teve muito menos oportunidades, porque quando James Rodríguez estava em campo fizeram seis remates à baliza e quando James Rodríguez saiu apenas fizeram dois e um desses dois acabou por resultar num gol. Portanto, a mentira é as substituições mal feitas da Colômbia.
O jornalista Martim Madeira com a crônica do jogo entre a Colômbia e a República Democrática do Congo, do grupo K, o mesmo que Portugal.
observador

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