Lúpus: como viver com uma doença “invisível”?

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O lúpus é uma doença autoimune crônica que pode afetar diferentes órgãos e apesar de não ser rara, continua muitas vezes pouco reconhecida e de diagnóstico desafiante. Doutora Vanessa Mendes, bom dia.
Bom dia.
Afinal, o que é o lúpus?
O lúpus é uma doença autoimune, ou seja, uma condição em que o nosso sistema imunitário, que normalmente nos protege, passa a reagir contra o nosso próprio organismo. Esta resposta imunitária desregulada pode causar inflamação em vários tecidos, nomeadamente na pele, articulações, os rins, o sistema nervoso e outros órgãos. Ou seja, não é uma doença localizada, é uma doença sistêmica com manifestações muito variáveis.
E quais são os sintomas mais comuns?
Os sintomas podem ser muito diversos e é isto que torna o diagnóstico mais complexo, mais desafiante. Nomeadamente a fadiga persistente, as dores articulares, lesões cutâneas, muitas vezes agravadas pela exposição solar. Pode também dar febre baixa, queda de cabelo e em alguns casos, envolvimento de órgãos como são, por exemplo, os rins. Esta variabilidade faz com que os sintomas sejam frequentemente confundidos com outras condições.
Que até já aqui falámos.
Isso mesmo. E por isso o diagnóstico pode ser tardio.
E há grupos mais afetados, mais suscetíveis?
Sim. O lúpus é mais frequente em mulheres, sobretudo em idade fértil, e pode ter uma evolução variável, como períodos de maior atividade da doença e fases também de remissão. E portanto, aqui o acompanhamento clínico regular é essencial.
Claro. E que impacto pode ter no dia a dia de quem sofre de lúpus?
Pelas queixas que referi, pode ter um impacto muito significativo.
E limitativo, não é?
Sim. A fadiga é um dos sintomas mais incapacitantes. Depois, afetar aqui a capacidade de trabalho, a vida social e a qualidade de vida. E por se tratar muitas vezes de uma doença invisível, nem sempre é compreendida por quem rodeia o nosso paciente e aqui pode ter um impacto emocional gigante.
E o que acontece com tantas outras doenças semelhantes. Existe tratamento?
Sim, embora não exista uma cura, há estratégias eficazes de controle e o tratamento individualizado pode incluir fármacos imunomoduladores ou até anti-inflamatórios. A proteção solar é fundamental e as mudanças de estilos de vida também. Nomeadamente aqui o sono, a alimentação, o controle de estresse, também desempenham um papel fundamental. O objetivo é, sem dúvida, controlar a inflamação, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida.
Portanto, aqui uma mensagem positiva é que é possível viver com lúpus e ter qualidade de vida.
Sem dúvida. Com diagnóstico atempado e acompanhamento adequado, é possível controlar a doença e manter uma vida ativa, funcional. Depois o mais importante é reconhecer os sinais e não desvalorizar sintomas persistentes.
tratardaSaú[email protected] é para onde pode enviar as suas dúvidas, sugestões, mas se preferir, também nos pode enviar o seu áudio por WhatsApp 910024185. Doutora Vanessa Mendes, até amanhã.
Até amanhã.
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