Roberta Medina fala de Belo, cavalinho e Rod Stewart no Rock in Rio Lisboa

À frente do Rock in Rio Lisboa, Roberta Medina vê a edição de 2026 como a consolidação de uma nova fase do festival em Portugal. Em entrevista à coluna GENTE, a vice-presidente executiva da Rock World falou sobre a mudança para o Parque Papa Francisco, a ampliação da estrutura, a mistura de gerações no público e a aposta em nomes brasileiros no line-up. “Quando a gente faz um dia para cada geração, é quando dá mais certo. A gente consegue acolher todo mundo que quer estar com aquele artista”, afirmou.
Belo: um dos nomes brasileiros do segundo fim de semana, Belo entrou no line-up, segundo Roberta, porque “se impôs” ao festival. Para ela, a curadoria não parte de gosto pessoal, mas do comportamento do público. “A gente constrói o line-up olhando para as pessoas. Não é o que a Roberta gosta. É o que as pessoas querem ver. A música brasileira está muito forte aqui”, disse. A presença do cantor também conversa com a grande comunidade brasileira em Portugal e com o interesse crescente por artistas nacionais fora do Brasil.
Pedro Sampaio: Roberta também citou Pedro Sampaio, que viralizou no primeiro fim de semana ao comandar um “cavalinho” coletivo no público. “O que foi o Pedro Sampaio semana passada? Viralizou. A galera pula, parece um lençol. Achei muito bonito”, contou. Para a executiva, o resultado é fruto de um trabalho de comunicação feito em parceria com os artistas. “A gente abre a porta, mas o artista também tem que fazer a parte dele”, afirmou.
Bruno Mars: ao falar da relação entre artistas internacionais e o público brasileiro, Roberta lembrou Bruno Mars como exemplo de entrega. “O Bruno, por exemplo, virou um brasileiro. Ele se entregou”, disse. A executiva afirmou que artistas estrangeiros que querem se conectar com o Brasil precisam criar uma estratégia real para o país, e não apenas aparecer para um show isolado.
Stray Kids: a escolha do Stray Kids para o Rock in Rio no Brasil foi definida por Roberta como uma aposta na renovação cultural do festival. “Stray Kids é renovação de cultura. Você vai fingir que o K-pop não está gigante?”, afirmou. Para ela, a curadoria precisa acompanhar o movimento do público, mesmo quando isso significa abrir espaço para gêneros que fogem do repertório mais tradicional do festival.
Cyndi Lauper: escalada para o dia de Rod Stewart em Lisboa, Cyndi Lauper foi citada por Roberta como uma artista que representa mais do que o próprio repertório. “Ela representa aqui muito mais do que o feminismo. Ela representa uma mulher de sucesso com 75 anos de idade, incrível e potente. E não precisa dizer mais nada. Isto é um statement”, disse. A executiva também destacou a importância de artistas que levam uma mensagem para além da música: “Quando você constrói um show que passa algo mais, tem uma força muito grande”.
Rod Stewart: sobre Rod Stewart, que está em sua última turnê, Roberta falou em tom de privilégio. O cantor, que esteve na primeira edição do Rock in Rio, em 1985, volta ao festival aos 82 anos. “Ter ele na última turnê é muito emocionante, é um privilégio. Veio essa potência de um cara que é tão apaixonado, que é isso que alimenta ele. Ele vai até o fim”, afirmou.
Adele: questionada sobre um sonho para futuras edições, Roberta citou Adele. “Adele é um bom nome”, disse. A executiva ponderou, no entanto, que cada praça tem suas possibilidades: “Adele é mais fácil aqui do que no Rio”.
Lady Gaga: Roberta também comentou o megashow gratuito de Lady Gaga em Copacabana, no Rio de Janeiro, e negou qualquer frustração por a apresentação não ter acontecido dentro do Rock in Rio. “O Rio tem essa coisa tão bonita. Nada vai contra a potência e a alegria de uma cidade grande”, afirmou. Para ela, a apresentação ajudou a reforçar a força do Rio como destino de grandes eventos musicais.
Copa do Mundo: a Copa do Mundo também entrou na programação do Rock in Rio Lisboa. Roberta contou que o futebol passou a fazer parte da operação do festival em 2018, quando a organização decidiu mudar a grade e interromper os palcos para transmitir um jogo. “Paramos todos os palcos. Todas as telas do evento passavam o jogo”, lembrou. Desde então, a relação com o futebol virou parte da experiência. “Eu não desejo que os jogos caiam no festival, mas, se cair, a gente abraça”, afirmou. Neste ano, como a partida entre Portugal e Colômbia acontece de madrugada em Lisboa, o festival decidiu ampliar a celebração para além do jogo. A Arena Música e Futebol exibe partidas, promove brincadeiras e transforma a disputa esportiva em mais uma atração da Cidade do Rock. “A gente não vai mais olhar só para o momento do jogo. A gente vai celebrar o futebol como festa todos os dias”, disse Roberta.
Política: a executiva também falou sobre os cuidados de organizar um festival em anos de tensão política. Para ela, o tema entra no planejamento de grandes eventos principalmente pelo viés da segurança. “Aquilo que acontece em sociedade vai se refletir de um jeito ou de outro”, afirmou. No caso brasileiro, Roberta lembrou que a polarização exigiu atenção extra da organização. “A coisa mais importante é as pessoas chegarem seguras, saírem seguras. Depois felizes”, disse. Roberta afirmou ainda que o Rock in Rio é um evento apolítico e que a legislação que proíbe campanha eleitoral no palco, durante determinados períodos, ajuda a estabelecer limites claros. “Não é sobre censurar. Pode partilhar as suas ideias. Mas não pode fazer campanha eleitoral”, afirmou
Além dos artistas, Roberta afirmou que o Rock in Rio Lisboa vive um momento de expansão internacional. A meta, segundo ela, é transformar o festival em um dos grandes eventos do verão europeu. “Agora o objetivo é fazer a Europa se encontrar em Lisboa, fazer o Rock in Rio Lisboa virar o hype do verão europeu a cada dois anos”, afirmou.
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