As exposições do Babell, aqui em imagens que servem de aperitivo

Na Galeria Municipal do Porto, Colapso, de Silvestre Pestana, apresenta uma instalação concebida especificamente para o espaço, onde luz, arquitetura e linguagem se articulam numa reflexão sobre tecnologia, obsolescência e transformação. Figura incontornável da poesia experimental portuguesa, Pestana constrói uma obra que atravessa performance, vídeo, fotografia e meios digitais, explorando o LED simultaneamente como dispositivo visual, signo cultural e metáfora do excesso tecnológico. Entre ecos de trabalhos anteriores e novas possibilidades poéticas, a instalação reafirma a arte como lugar de questionamento crítico do presente.
Gestures of Love, da artista franco-portuguesa Kelly Santos, pode ser vista na Casa Comum da Universidade do Porto. É o terceiro capítulo de um projeto internacional iniciado na Cidade do México e posteriormente desenvolvido em Nova Iorque. A exposição continua a investigação da artista sobre os gestos quotidianos que constroem o amor, abordando intimidade, vulnerabilidade e ligação humana através de uma linguagem visual imersiva e sensorial. No Porto, este percurso ganha uma nova configuração, reforçando o caráter itinerante e evolutivo de uma obra que estabelece pontes entre diferentes geografias, culturas e experiências afetivas.
No Museu Nacional Soares dos Reis, Desenhos do Cinismo e Melancolia, de Ana Vidigal, reúne 22 peças de pequenas dimensões concebidas como páginas abertas, trabalhadas nas duas faces através da colagem, do desenho e da pintura. Partindo da obra de Camilo Castelo Branco, a artista estabelece um diálogo entre literatura e artes visuais que ultrapassa a ilustração para propor uma verdadeira reescrita plástica. Palavra e imagem confrontam-se, deslocam-se e reinventam-se, convidando o público a uma leitura simultaneamente visual e literária.
Instalado na antiga Cadeia da Relação, o Centro Português de Fotografia exibe Imagens Cativas, do fotógrafo argentino Daniel Mordzinski, um conjunto de retratos de alguns dos mais importantes escritores contemporâneos. Conhecido internacionalmente como “o fotógrafo dos escritores”, Mordzinski transforma o retrato num território narrativo onde personalidade, imaginação e criação literária se encontram. O contexto histórico do edifício confere uma dimensão adicional à exposição, evocando a censura, o encarceramento e a resistência através da palavra, numa reflexão sobre a liberdade de expressão e o poder duradouro da literatura.
A programação expositiva completa-se com Poesia Imersiva: Cego Som, uma instalação concebida pelo poeta portuense João Habitualmente, com curadoria sonora do sound designer Elvis Veiguinha. Num ambiente de escuridão total, o visitante é convidado a abdicar da visão para descobrir a poesia exclusivamente através da escuta. Poemas de autores portugueses contemporâneos, interpretados por diferentes vozes, constroem uma experiência sensorial onde ritmo, silêncio e respiração devolvem à palavra a sua dimensão física, transformando a audição no principal instrumento de orientação e imaginação.
Em conjunto, estas cinco exposições afirmam o Babell como um espaço de encontro entre diferentes disciplinas artísticas e literárias, propondo ao público percursos que cruzam memória, linguagem, tecnologia, fotografia, desenho e som. Mais do que um programa expositivo, constituem um convite à descoberta de novas formas de ler, ver, ouvir e pensar o mundo contemporâneo.
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