Sobre chorar com velhinhas e sogros tóxicos

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Olá, bem-vindos a mais um episódio do "Terapia de Casal". Como é que vocês estão? Estão bem? Eu acho que o áudio hoje vai estar lá em cima.
Se isto não for a melhor qualidade de áudio que já entrou pelo vosso ouvido adentro.
Temos de despedir o Vítor.
É, temos de despedir o Vítor. Então, o que é que se passa? Estávamos a ouvir o episódio no fim e de facto temos de despedir o Vítor, porque isto ficou com problemas de som. Eu acho que dá para vocês perfeitamente ouvirem o áudio, mas Vítor queres dizer alguma coisa?
Não, o problema é que vocês não param quietos com os pés.
Eu estou quieta, estou aqui no fundo, quieta.
Eu pensei assim: "Eu devia ter ficado aqui." Eu pensei: "Devias ter ficado lá, mas ok, vai tudo correr bem, que eles já fazem isto há imenso tempo, já têm microfones em frente à boca há imenso tempo." Não.
Deu cocó.
Deu cocó. Os vossos pés não param quietos.
Tudo correu bem, Vítor, está tudo bem. As pessoas agora vão ouvir o resto do episódio e vão seguir o teu trabalho e vão gostar de ti à mesma.
Ventanias, ok?
Ventanias?
Ventanias.
Não, é vendaval. Eu fui estúpido, é vendaval. Bora. Nós neste momento estamos na Ilha da Madeira, estamos no Funchal e estamos no Ventania Studios.
É verdade.
É basicamente onde nós estamos. Nós estamos nos estúdios.
Vendaval.
Vendaval.
Não é ventania. Olha, pronto, já está tudo lixado.
Nós estamos no Vendaval Studios.
O estúdio do nosso amigo Vítor.
Exatamente, o Vítor Carraca Teixeira, que faz o nosso genérico.
É verdade, e ele é produtor musical, entre outras coisas. E basicamente ele tem este estúdio todo catita e tu já estiveste com o Tóquio, cão deles, ao colo a gravar este episódio.
Eu não sei se a imagem de divulgação do nosso episódio não devia ser...
Tu e o Tóquio.
Eu e o Tóquio.
Claro.
Que no fundo é a grande presença deste estúdio. Eu gosto muito do Vítor, mas quem começou a ouvir, ao vendaval, ventania.
Vendinho.
Ao Vendinho Studios.
Como é que estás? Estás bem?
Olha, estou bem. Eu já estou na Madeira há alguns dias, porque eu vim para cá fazer o espetáculo do Ricardo Araújo Pereira aqui no Funchal. Eu e Daniel Carapeto estivemos a abrir o sol do Ricardo. Tu é que andaste na rebaldaria.
Tenho uma pergunta para ti, Guilherme.
Dá-lhe. Tu estiveste na rebaldaria.
Sabes o que é que significa Dua, de Dua Lipa?
O que é que significa Dua?
O significado da palavra Dua, do nome dela.
Dua não é uma abreviatura tipo Bia de Beatriz?
Não.
Não é um nome albanês mais comprido?
Não, é Dua. É o nome dela.
É mesmo só Dua?
É.
Então não sei.
Significa amor. Ou desejo. Pois, exatamente. Já sabia que ias dizer isso.
É um bocado o que eu sinto por ela. Mas houve a possibilidade das duas mulheres que eu amo estarem juntas na mesma sala.
Houve a possibilidade de eu estar no sábado com a Dua Lipa, mas ela não estava. Já devem ter visto aí por toda a internet. A Dua Lipa inaugurou uma biblioteca na cave, no novo auditório da Livraria Lello.
Livraria Lello.
Livraria Lello. É chamada Manifesto Library, que reúne 100 títulos de livros que desafiam um bocadinho as dinâmicas de poder, as dinâmicas de controlo, as dinâmicas de censura, etc. Eu depois vou falar sobre isto no Livratt com mais calma, portanto, depois ouçam. Mas fui convidada para a inauguração dessa biblioteca, que é em parceria com a Lello e com a Service95 Book Club, que é o book club da Dua Lipa.
Exatamente, que é o segundo maior book club a seguir ao do Livratt, do mundo.
Exatamente. Sim, a Oprah que não conta.
Mas não foi a Dua, não é?
Não foi a Dua, não, foi só a equipa do Service95.
Teve muita gente famosa, tu estiveste com muitas velhinhas escritoras.
É verdade. Não estive com a Margaret na festa, porque ela estava muito cansada.
O que a Margaret Atwood ia fazer uma festa? A senhora tem 100 anos.
Não tem 100 anos, tem 80. A Conceição Evaristo, que tem 80 anos, esteve na festa até ao fim.
A beber uns copos.
Não, ela não bebeu vinho.
Mas os brasileiros têm outra ginga.
É verdade.
Os brasileiros são feitos para a festa.
E foi muito bom, foi muito divertido, mas eu sobre o Babel, que é o festival literário onde eu estive no Porto, e sobre o Manifesto Library falarei.
Depois disso é outro podcast.
Na quarta-feira podem ouvir tudo no Livratt.
O que interessa para este podcast é outra coisa sobre o Babel, que é: tu não te controlas com velhinhas. Nós temos de falar sobre isto.
Eu chorei muito. A Margaret Atwood entrou em palco e eu desatei a chorar.
Essa é logo a primeira.
Na festa da Dua Lipa, que eu vou-te chamar a festa da Dua Lipa, que ela não estava, mas pronto. Na festa da Dua Lipa, fui me apresentar à Conceição Evaristo. Eu sou uma pessoa com muita vergonha de me apresentar a outras pessoas.
É complicado para ti fazer networking. Que é uma coisa que também fizeste no Babel, não é?
Sim, mas é muito complicado para mim, porque eu tenho muita vergonha. Não parece, porque comunico muito, tenho dois podcasts, falo que nem uma zunha.
És uma comunicadora nata.
Sou uma comunicadora. Mas tenho imensa vergonha de ir falar com pessoas que eu admiro. E então ganhei coragem, já mais para o final da festa, de ir falar com a Conceição. E a senhora é tão querida, ela esteve o tempo todo a dar-me as mãos enquanto eu estava a falar com ela, que eu comecei a chorar.
E disseste à Conceição.
E disse: "Desculpe, eu estou emocionada." E ela: "Não tem mal. Isto também é importante."
É tão engraçado porque já três escritoras velhinhas te puseram a chorar. Foi a Conceição Evaristo.
A Dulce Maria Cardoso não é velhinha, tu vê lá o que é que vais dizer.
É mais velhinha.
A Dulce tem 50.
Ok, é mais velha.
60 no máximo.
Não é como a nossa amiga Maria Francisca Gama, que é jovem. Eu estou a dizer, é mais velha.
Mas não interessa.
Não posso dizer velhinha.
Não podes.
Olha a maneira como tu defendes a Dulce Maria Cardoso imediatamente.
Não podes, porque ela é intemporal. Ela é intemporal. Não, mas não é velhinha.
Pronto, escritoras de cabelo branco, se eu te dizer assim?
Podes, mas a Conceição Evaristo não tem o cabelo branco.
Pronto, está tudo lixado. Pessoas com descontos em museus.
Olha, boa. Pessoas com o passe 65.
Exatamente. Pessoas com o passe 65. Três escritoras já te fizeram chorar.
Sim, é verdade.
Só de as veres.
Eu sou uma chorona. Sou uma chorona, é uma coisa que também tenho estado a ser cada vez mais chorona.
Eu acho que não há mal, eu acho que nós devemos ser chorões. O Victor Wembanyama, que é basicamente o poste dos San Antonio Spurs. Isto é uma tangente, mas eu vou explicar para onde é que eu vou. Ganhou um jogo e foi para as finais da NBA contra os Knicks, depois ganharam os Knicks. Mas ele a certa altura, ele ganha lá um jogo muito importante, ele comoveu-se e chorou em campo. Ele estava a chorar no final do jogo. E depois ele disse uma frase que eu gostei muito, que é: "Nunca na minha vida vou pedir desculpa pelas minhas emoções."
Olha.
E é uma frase que eu gosto muito, que é do gênero: comovi-me e tive vontade de chorar pela vitória, eu não vou pedir desculpa pelas minhas emoções. E eu acho que tu e o Victor Wembanyama, que é um cara que tem 2,24 metros de altura, um francês com quase 2,30 metros, vocês os dois têm a mesma luta. Não vão pedir desculpa pelas vossas emoções.
E não peço. Chorei e chorei, e quê? E chorei. E quê?
E muito bem.
E também, a vida também é para chorar ou não?
E muito bem.
E para rir e para chorar, e para mandar pro caralho. E pronto, mas sim, estive no Babel, mas sobre isso falarei com mais detalhe.
Pormenores, literaturas, é no teu outro podcast. Olha, eu tenho aqui coisas apontadas para nós falarmos, porque nós temos aqui algo. Hoje nós temos algum housekeeping. Normalmente, isto é uma grande rebeldaria e nós estamos aqui tudo na brincadeira, não sei o quê.
Temos muitas coisas para dizer.
Nós temos algumas coisas para dizer. Agora só tenho que encontrar aqui a nota. Exatamente. Primeiro, e isto é o mais importante. Falamos do Mockfest. Dissemos que eu e tu íamos pôr música, vamos ser DJs. Entretanto, já falei com o nosso padrinho, Pedro Silva, para nos dar uma aula de DJing, porque nós precisamos de aprender a mexer numa mesa.
Nós temos de aprender tudo.
Sim. Até aprender a ter bom gosto musical também, que é uma coisa que eu não tenho e até lá tenho que arranjar. Mas nós vamos pôr música no Mockfest. Isto já falamos, partilharemos mais em cima da altura, da data, vamos dizer exatamente que horas do dia.
O local, etc.
Mas pronto. Em princípio, é ali à frente do São Jorge, na Avenida Liberdade, em Lisboa. Pronto, mas ali na rua vai haver um sitiozinho para pôr música. Agora, o que é novidade e nós temos que anunciar aqui, e isto é 100% exclusivo, e estamos a dizer aqui primeiro, porque vocês merecem saber primeiro.
Não estás a dizer aqui primeiro, tu partilhaste logo o post.
Sem dúvida.
Eu não partilhei. Eu gosto mais das pessoas que nos ouvem do que tu.
Mas as pessoas perguntaram: "O que é isto? Como é que vai ser?" Não sei o quê. Eu disse: "Têm que ouvir o episódio."
Pois, estás a ver?
E ouvir o episódio.
Tu tens de deixar aqui para as pessoas que ouvem todas as semanas, desde 2019, que estão aqui conosco.
Já estão há sete anos ouvindo-nos, fazem em setembro. Mas nós vamos também fazer um podcast, eu e tu, podcast "Terapia de Casal", não é só pôr música. Nós, no dia 30 de agosto, vamos lá fazer o nosso podcast.
É verdade, sim, senhor.
No São Jorge, que vai estar a dar em streaming.
Portanto, vocês podem assistir do conforto do vosso lar.
Em direto, que é sempre uma experiência muito gira. Podem assistir ao nosso podcast em direto. Vocês não estão neste momento aqui conosco, só quando fazemos os espetáculos ao vivo é que vocês podem ver ao vivo.
Mas vamos dar a possibilidade a 15 pessoas de estarem lá, de serem o nosso público.
E eu acho que nós devíamos criar uma dinâmica de as pessoas levarem uma história ou uma coisa qualquer. Eu acho que era giro. Ainda vamos pensar. Temos tempo porque é daqui a um mês e meio.
Mas é o podcast mais pequeno do mundo. Haver os concertos mais pequenos do mundo, este é o podcast mais pequeno do mundo.
Com 15 pessoas. Como é que tu te sentes depois de fazer o Estádio da Bandeira a fazer uma sala para 15 pessoas?
Acho que vai ser mais difícil fazer para 15 pessoas.
Eu também acho que vai ser.
Acho, porque no Estádio da Bandeira eu não vejo as carinhas. Alí eu vou ver.
Deixa-me só dizer isto.
Sim, era o que eu ia dizer. Ia explicar as coisas, blá, blá, blá.
Mas é daqui a dois meses, porque é no dia 30 de agosto, é a data do nosso Worten Streaming, que é como se chama no Mockfest. Nós vamos fazer um Worten Streaming, que é "Terapia de Casal" streaming em direto, 15 lugares. E como é que vai funcionar, Rita da Nova?
Vai funcionar que vocês vão ter de enviar um e-mail para [email protected], para o nosso e-mail habitual, a manifestarem o vosso interesse em inscreverem-se. Eu acho que nós devíamos definir que uma pessoa não pode marcar mais do que dois lugares.
Sim, ok. Porque aí tecnicamente já vamos aos sete e-mails.
Exato.
Pronto. Fazer as contas, que eu sou muito dos teus olhos.
Não, eu estava a pensar, porque se nós permitirmos que uma pessoa marque para 15 pessoas, é injusto, porque assim vai só um grupo de amigos.
Vamos limitar duas pessoas por e-mail.
Exatamente.
Com uma história bem contada, três. Mas vocês têm que justificar mesmo por que é três. Porque é do gênero, eu vou com meu namorado e meu amante. E nós precisamos de resolver ali uma coisa.
Sim.
Vou com meu triângulo amoroso. Aí dá três.
Mas nós vamos por ordem que os e-mails chegarem à nossa caixa de e-mail.
Exatamente, isso era o que eu ia dizer a seguir. Ou seja, nós temos 15 lugares para verem o nosso "Terapia de Casal" no Mockfest.
Em Lisboa.
Em Lisboa. Há 15 cadeiras e, portanto, as primeiras 15 pessoas.
A manifestarem esse interesse.
A marcarem, está a contar a partir deste momento. Vocês estão a ouvir isto, estão a ouvir a minha voz, estão a ouvir a minha voz neste momento.
Já não estão.
Já estão no e-mail. Agora, nós queremos criar aqui uma dinâmica, eu e a Rita ainda vamos pensar, mas eu acho que era giro aproveitarmos para esse episódio as pessoas que lá estão. Ou seja, podem levar uma curiosidade, uma história, nós podemos pedir uma pergunta, podem levar um dilema, um problema qualquer ou uma dúvida de um amigo e vão lá e vão dar voz a isso.
Vamos tentar que seja o mais interativo possível, porque vão ser 15 pessoas ali só.
Eu acho que era giro aproveitar, é fazermos uma consulta
A porta está aberta. Como a Margarida Santos.
Exatamente. Àquelas 15 pessoas que lá vão. Nós ainda vamos decidir exatamente o que é que vamos pedir, mas é [email protected]. É para o e-mail onde vocês podem dizer assim: "Olá, o meu nome é X e eu gostava muito de marcar para mim e para mais uma pessoa, para estar sentadinho no São Jorge a ver o 'Terapia de Casal" no Mockfest. E nós registamos e depois respondemos e fazemos essa curadoria dos primeiros 15 para se sentarem lá para verem o nosso podcast.
Espero que possam ir e que seja agradável para toda a gente.
Eu acho que vai ser giro. Temos ali 15 pessoas à nossa frente a gravar.
Vai ser quase a hora do conto.
Exatamente.
Com os meninos na biblioteca.
Da Feira do Livro, não é?
Sim.
Exatamente.
Tens mais housekeeping ou podemos ir a e-mails?
Tu queres ir já a e-mails? Eu tenho mais coisas para dizer aqui.
Já me vai acusar de coisas.
Tu esta semana disseste duas coisas, que eu acho que são dignas de serem tratadas neste podcast. Uma foi diretamente a mim, outra foi sobre o mundo.
Ok.
Pronto. E eu acho que é importante nós também falarmos aqui das coisas que a minha mulher diz, porque a minha mulher às vezes abre a boca, saem-lhe coisas. A primeira foi sobre mim.
Ok.
E nós estávamos os dois a almoçar e nós agora no verão fazemos muitas vezes saladinhas. Fazemos uma saladinha com ovo, com milho, com cenoura. Cozemos umas massinhas e pomos lá no meio.
Vou dar aqui a dica da melhor salada inventada pelo meu pai. Uma salada normal, alface, vocês metem por lá o que quiserem, mas em vez de porem massa normal cozida, cozam aqueles raviólis recheadinhos, as massas recheadas, e metam lá no meio. Fica uma saladinha supimpa.
Agora, as pessoas podem comer à sua maneira e podem comer de diferentes maneiras e cada um é feliz a meter na boca o que quiser. E nós não podemos julgar o que é que cada um põe na boca da maneira como põe.
Depende.
Pronto, o que é que se passa? Eu estava a temperar a minha salada.
Não, já sei.
Só percebeste agora onde é que eu ia?
Tu estavas a pôr a tua salada dentro do vinagre.
Se eu gosto.
Eu também adoro vinagre. Tu não amas mais vinagre do que eu.
Primeiro não me agarres no braço, que esta é a primeira vez que nós estamos a gravar lado a lado neste estúdio.
Tu não amas mais vinagre do que eu, mas vai-te fazer mal a quantidade de vinagre que tu pões na salada.
Estive mal? Passei mal? Aconteceu alguma coisa? Não. Primeiro, eu não gosto de azeite nas saladas. Essa é a primeira.
Não, o Guilherme uma vez proferiu a frase-
Não vires isto contra mim, que isto é só uma frase tua.
O Guilherme uma vez proferiu a frase: "Odeio azeite".
Mas eu depois corrigi imediatamente.
Mas às vezes é assim, não há tempo nesta sociedade hoje em dia, que se precipita para conclusões.
Mas o problema é da sociedade ou é meu? Pronto. O que eu tenho a dizer é: eu gosto de pôr vinagre balsâmico. Eu adoro vinagre balsâmico. E na salada eu não gosto de pôr mais nada. Eu não quero nem vinagre normal, nem azeite. Eu quero pôr só vinagre balsâmico, porque o sabor do vinagre balsâmico-
Só que tu pões muito.
Eu ponho o que eu quiser. Eu ponho o que eu quiser. Eu sou um homem adulto.
Você não tem noção daquilo a fazer parece um copo de vinho.
O PIB de Modena está a disparar com a quantidade de vinagre balsâmico de Modena que eu ponho na minha salada.
Que é da marca Gallo, ainda por cima.
Cagalo? Estás a dizer cagalo no nosso podcast.
Eu só dormi três horas, não podes fazer isso que eu vou rir.
Estás no nosso podcast, estás a dizer cagalo. Mas qual é o mal de pôr um bocadinho? Aquilo é o suficiente para-
Não, mata-te todo.
Mas o que mal é que faz? Nós não temos um médico oficial do "Terapia de Casal"?
Temos, mas lixa o teu estômago todo. Lixa-te todo, olha por dentro. Olha a acidez toda. Também.
Olha, também quem é que tem bactérias?
Mas eu tenho a minha bacteriazinha.
Pronto, das duas pessoas que estão aqui, quem é que tem bactérias dentro? A corrua.
Mas uma coisa é uma bactéria, outra coisa é estares a fazer de propósito. E além disso...
Vinagre balsâmico não faz mal.
Pronto. Então vamos falar com a nossa nutricionista, Mafalda Serra.
Vamos falar com a Mafalda Serra ou se o médico oficial do "Terapia de Casal" quiser mandar uma mensagem. Primeiro, eu não como uma sopinha.
Comes. A quantidade de vinagre que sobra depois, quando acabas a tua salada.
É um fundinho, está tudo bem, é só para empapar bem a salada porque eu gosto do sabor do vinagre balsâmico.
Todos gostamos do sabor do vinagre balsâmico, ninguém está aqui a dizer mal do vinagre balsâmico.
Eu ia dizer que tu pões azeite e pões mais merda. Não, é vinagre balsâmico de Modena.
Tu estás irritando. Mas pronto, era isso que querias dizer. Querias dizer que eu não estava a controlar o que tu estavas a comer.
Não. Tu estavas a olhar para o meu prato, estavas a ver o que eu estava a pôr no meu prato e no silêncio da noite, tu olhaste para mim, a meio do almoço, e disseste assim: "Estás a pôr demasiado vinagre balsâmico na salada".
Isso foi a pior representação. Olha, Guilherme, a sério, juro-te. Casting dos brancos com açúcar agora.
Eu sempre disse que era mau ator.
Bem.
Eu sempre disse que era mau ator.
Bem, Tojó, estás contratado, juro.
Eu sempre disse que era mau ator. Mas tu estás assim: "Amorzinho, estás a pôr demasiado vinagre balsâmico na salada".
Tu estás muito preso ao texto. Eu já percebi. Estás preso ao texto.
Então diz lá como tu disseste.
Assim: "Amorzinho, essa quantidade..."
Também não consegues.
Eu só dormi três horas. "Amorzinho, estás a pôr essa quantidade toda de vinagre balsâmico, estás parvo ou o quê?" Tem de ser assim.
Exatamente, uma coisa assim do género.
É que tu estavas muito preso à maneira como eu disse.
Porque eu sou um mau ator, eu escrevo o que eu te dizer.
Mas é que eu fiz mal. Eu agora quero já o ficheiro para trás.
Tu não podes controlar o que eu como. Eu sou um homem adulto e acho mal em 2026.
Peço desculpa então. O teu corpo, as tuas escolhas.
Exatamente. Se eu quero encher.
As tuas escolhas.
Se eu quero que o meu corpo seja 70% água, 30% vinagre balsâmico de Modena, é o que eu vou pôr.
Ao menos não é 30% azeite, também te digo.
Não, que eu senão não aprecio na salada. Essa foi a primeira coisa que tu disseste esta semana e que foi, anrinhaste, foi: "Estás a controlar o que eu como". A segunda foi, nós normalmente ao almoço vemos uma série. Ou vemos um game show do Dropout, por exemplo, costumamos ver, ou o Game Changer, ou o Make Some Noise.
VIP.
VIP. É VIP. Ei Costumamos ver algumas coisas do Dropout. E quando nós não temos tempo, temos mais pressa para o almoço, vemos só TikToks. Estávamos a ver TikToks, a comer e a ver TikToks, não tem mal. Temos 10 minutinhos para almoçar, é um almoço mais rápido, nós pomos os TikToks no telefone da minha mulher, porque o algoritmo dela é melhor. Isso é outra coisa que nós temos de falar. Há um desequilíbrio muito grande entre algoritmos.
O meu é muito mais engraçado.
O meu também é engraçado, mas o meu tem mais coisas pelo meio que tu não gostas e eu praticamente gosto de tudo do teu.
Porque são coisas-
Só signos, aparecem coisas de signos
...mas eu passo quando tu estás. Mas tipo coisas de terror.
Terror, música.
Tipo aquelas pessoas que estão no meio da rua a cantar, não tenho paciência. Para isso vou para a baixa.
Está impossível. Mas nós vemos o TikTok. Espera aí, tenho que beber água também, estás a beber água, nós temos que beber água de vez em quando.
Dois, ganhaste.
O que é que se passa? Então, estávamos a almoçar.
Eu disse que isto ia ser mais engraçado se eu tivesse dormido três horas e caótica.
Eu para mim tu nunca dormias. Aplicávamos aqui uma tortura de Guantánamo que era para tu estares sempre a ser engraçada. Estamos a ver TikToks e estamos a almoçar. E a certa altura aparece lá uma menina qualquer que está a fazer um lip sync.
Já sei o que vais dizer. Disse nesse dia e vou dizer aqui, que eu também estou aqui é para dizer as coisas.
Então pega, faz o teu rant.
Malta, se vocês vão fazer vídeos de lip sync para o TikTok ou para o Instagram, façam bem. É que na maioria das vezes a música já está a dar e a boca está parada ou está a dizer outra coisa qualquer. Nota-se que vocês estão a olhar para o vosso amigo que está a dizer: "Vai, agora".
Sabes o que eu adorava? Que alguém pegasse neste bocado e fizesse lip sync no TikTok ou no Instagram.
Adorava. Mas bem.
Mas a começar naquele momento em que tu dizes: "Malta, se vocês vão fazer lip sync no Instagram ou no TikTok", e a malta fazer lip sync com isso. Eu, por acaso, gostava de fazer também. Mas alguém faça, por favor, eu acho que era giro. Pegar neste bocadinho, neste rant que tu tiveste agora.
Façam bem! Só se estou a envergonhar a vocês. É que a quantidade de vezes que eu vejo.
Tudo mal, a boca a mexer e já está fora.
Se vão fazer, façam bem. Eu não dou o meu tempo aos vídeos que estão com o lip sync malfeito.
Pois eu também não.
Eu não dou.
É que fica deprimente, a maior parte das vezes são coisas assim. Então estás a fazer para quê? Se estás a fazer um lip sync e a tua boca não está a mexer ao mesmo tempo do que as pessoas estão a dizer, é uma novela mexicana.
Exato. Olha, é. E para isso eu vejo na Globo. Na Globo. O equivalente do mexicano. Não, as turcas.
Telemundo.
As turcas.
As turcas.
Tu já viste as telenovelas turcas? Uma vez vi com a minha avó. Uma vez fui lá para a casa da minha avó agora recentemente. Recentemente. Não recentemente, que ela agora está no lar. Mas antes disso. Fui para a casa dela e estivemos a ver novelas turcas a tarde toda. E é muito engraçado, porque são três atores que fazem as novelas todas.
Isto é racismo de turcos.
Não é não. O pai de uma, na novela a seguir já é marido dessa.
Não, não é possível.
Juro-te. Então estive a ver.
Eu acho que tu estás a confundir turcos.
Não estou, não. Eram os mesmos atores. Alguém confirme isso, se faz favor. Pronto.
Muito bem. Mas tu tens um problema com maus lip syncs.
Tenho.
E eu concordo sempre. Mas é que tu tiveste mesmo uma minifúria. Eu agora não vou me equivocar.
Não, faz lá. Diz lá como é que eu disse.
Tu estavas a olhar para o telefone e dizes assim: "Eu estou farta de gente que faz lip sync mal".
Olha, foi bom.
"É que os labiozinhos não estão certos". Tu disseste mesmo: "Os labiozinhos não estão certos. Para quê postar?"
É verdade. Pronto, ficam com esta.
Foi assim com esta ordem. Tu disseste: "Para quê postar?"
Exato. É que ainda por cima o TikTok tem rascunhos. Fica nos rascunhos.
Pois é, não têm que postar tudo de cara.
Fizeste, ficou mal, tentas para a próxima. E se calhar também não és feito para o lip sync.
Também é possível.
Pronto.
Faz outras coisas.
Faz outras coisas.
Está tudo bem. Vamos avançar para e-mails. Eu tinha estes temas esta semana, acho que já tratámos de tudo o que nós tínhamos para tratar. Vamos ao e-mail da Torda.
Vamos. Que já tínhamos da semana passada e não lemos.
Que tínhamos da semana passada e deixámos pendurado e isto não se faz. Espera aí, deixa-me só apagar aqui as notas.
Queres que eu abra?
Se tu quiseres, tens aí.
Eu posso começar. Então. "Olá, querida Rita, Guilherme e patudos. Escrevo este e-mail para expor uma situação que me incomoda há bastante tempo. Chamo-me Torda e namoro com o Pica-Pau há 12 anos."
Queres só explicar porquê os pássaros?
Já vamos explicar. Acho eu. "Temos ambos 28 anos neste momento. Desde cedo que sonho em ter a minha casa e a minha independência. Trabalho desde os 17, enquanto tirei licenciatura e mestrado na universidade, paralelamente, ele nunca fez nada. Vive superconfortável em casa da mãe. Chegou a uma fase em que já não me faz sentido continuar a saltar de casa dos meus pais para a casa da mãe dele todos os fins de semana para termos algum tempo mais privado em casal. Ele diz que também está farto, mas despediu-se do primeiro trabalho que teve e faz um ano que não encontra outro. Vai a entrevistas, etc, mas nunca sai disso. Diz que quer muito viver comigo, mas que não está numa fase de fazer grandes planos. Estou cansada de não termos o nosso espaço e a casa com que sempre sonhei. Sei que o mercado imobiliário não está favorável, mas estou a atingir um limite. O que fazer? Eu gosto mesmo dele, mas não quero continuar a ver toda a gente a concretizar o sonho da casa própria, menos eu, que sempre o quis. Ir viver sozinha na zona da Grande Lisboa está impossível e não tenho amigas com quem partilhar casa. Já todas vivem com os namorados. Socorro. Obrigada por terem chegado até aqui. Um grande beijinho, Torda." Isto porque supostamente os tordos fêmeas são elas que fazem o ninho e são muito preocupadas e os pica-paus não fazem nada, os machos. Por isso é que nós chamamos pica-pau e torda.
Eu acho que nós estamos aqui, neste caso, a assistir a um clássico estão a crescer para sítios diferentes Porque normalmente nós associamos, acho eu, o fim de relações a: traiu-me, já não gosta de mim, etc. Eu acho que é perfeitamente possível as pessoas chegarem a pontos... Isto é a tua barriga?
Isto é o meu estômago, minha barriga.
Isso é fome ou é bactérias?
É uma fominha.
Ok, é uma fome. Já vamos comer milho frito.
Não.
Não posso fazer se está a comer areia. Não consigo, eu não sei fazer. O Ricardo faz um excelente. Ontem em palco ele fez. Ele faz excelente. Que ele contou uma história de se ter cruzado com o Cristiano Ronaldo e fez o destaque do Cristiano Ronaldo. Eu não sei fazer.
Avançando.
Avançando.
Estão a crescer para sítios diferentes.
Estão a crescer para sítios diferentes.
Eu acho que sim. E é muito típico, eu acho, de casais que namoram como eles durante muito tempo e começam muito novos. Porque fazendo as contas, eles começaram aos 16.
Exatamente.
Eles têm 28, atualmente.
Eles estão juntos há 12 anos, exatamente.
Começar aos 16 com uma pessoa é partir de uma série de pressupostos que não são os pressupostos que vão avançar com as duas pessoas ao longo do tempo.
Sem dúvida nenhuma. A pessoa que tu és aos 16 não é a pessoa sequer que tu és aos 20.
Exatamente. E é superlegítimo que tu queiras continuar com esta pessoa com quem estás há tanto tempo. E há casais que, de facto, resultam. Estou-me a lembrar do Vítor Sá e da Ana.
Exatamente.
Que estão casados, estão a morar juntos, etc. Eles depois lá terão tido as questões deles, mas porque avançaram para os mesmos sítios ao mesmo tempo.
Exatamente.
Se o Pica-Pau não quer porque está a sair da casa da mãe.
Está mais paradão, está confortável, não quer sair do espaço dele. E a Torda claramente quer começar a vida dela.
E eu também acho outra coisa, que é: eu acho que é muito importante, embora este casal namore desde os 16, eu acho que é muito importante eles terem a experiência de viver sozinhos.
Eu também acho.
Não saírem diretamente da casa dos pais para estarem juntos.
Mas como é que a Torda vai morar sozinha in this economy? Consegue responder a essa pergunta que tem parte em inglês? Não consegue.
Não sei. Talvez vá ter de viver para um quarto inicialmente.
Mas coitada.
Meu amor, é assim, Lisboa está horrível, se calhar tem de sair de Lisboa.
Pois, eu percebo.
Ou seja, ela tem este sonho. Eu acho é que ela não pode continuar a achar que a única pedra na engrenagem dela cumprir o sonho é ele.
Mas eu não quero ser injusto, até porque eu não conheço o Pica-Pau, e portanto eu não vou estar aqui a fazer juízos de valor de uma pessoa que eu não conheço e de uma relação cuja informação eu tenho é única e exclusivamente o e-mail. Mas soa a que ele está a puxá-la. Ele está a abrandá-la.
Ele está a abrandá-la, mas ela então tem de fazer um plano B e um plano C.
Pois, eu acho que ela tem de começar a avaliar as coisas que está a deixar de avançar na vida para estar com esta pessoa.
Exatamente.
Porque se esta pessoa está confortável, o seu conforto ou a sua falta de energia ou a sua falta de vontade de avançar na vida e de crescer, está a travar a pessoa com quem ele está.
Mas eles podem continuar juntos. Eles podem continuar juntos. Ela é que pode pensar: "Então, eu quero muito ter casa própria, quero viver sozinha. Ele não quer vir comigo, como é que eu posso fazer isto acontecer sem ele?"
Pois, sem dúvida.
Isso provavelmente vai ser o início do fim deles.
É o mais provável.
Mas ela não pode ficar parada à espera que ele se decida a ir viver com ela.
Sabes que o que eu vou dizer vai parecer polémico, mas acompanha só o meu raciocínio. Normalmente, nós somos muito críticos de relações em que raparigas novas andam com homens mais velhos, no sentido de, imagina, uma rapariga de 28 agora está com um senhor de 40. Percebes o que eu quero dizer? Estou só a dizer uma janela temporal. Ou calhas, ouçam até o fim. Mas a verdade é que as mulheres crescem muito mais depressa de cabeça do que os homens. Duas pessoas da mesma idade, neste caso, por exemplo, os 28 das pessoas do e-mail. Um rapaz de 28 é muito mais infantil do que uma rapariga de 28. E eu acho que há um desfasamento muito grande.
Em geral.
Em geral. Eu não estou a falar destes dois, eu não sei. Mas há um desfasamento muito grande na maturidade das pessoas. E, portanto, há um ponto em que eu até percebo que uma rapariga de 20 anos queira estar com um rapaz de 26.
Sim.
Percebe o que eu quero dizer? Porque o rapaz de 26 já tem, se calhar-
Se calhar 20, 26 é um bocado coisa, mas 25, 30.
25, 32. 25, 35. Sei lá, uma coisa assim do género.
Sim, acho que a nossa diferença é ótima, são quatro anos de diferença.
Sim, mas porque eu sou muito maduro.
Não.
E muito inteligente emocionalmente, e sou muito evoluído e a minha maturidade intelectual e emocional está muito acima da média.
Vamos a outro e-mail.
Vamos a um outro e-mail.
Vamos a outro e-mail.
Tu queres qual agora?
Eu quero o do namorado da mãe.
Eu quero o do namorado da mãe. A minha mãe tem um marido boçal. Ou devo dizer boçal? Porque ela escreveu com O e depois com U. Como é que se escreve boçal? É boçal, não é? Eu acho que é com O, se eu não estou em erro.
Eu acho que é com O, mas não tenho a certeza, porque dormi três horas.
Pois.
Nós chamávamos-lhe Madalena Sá Fernandes, porque o leme da Madalena Sá Fernandes é sobre um padrasto, que não é o caso deste, mas é um padrasto abusivo.
Este é só parvo, acho eu.
Este é só parvo, exatamente.
Mas pronto, foi só uma referência do mundo da literatura, porque a minha mulher veio do Babel, não sei se já te sabes. Então vou ler o e-mail, com licença. "Olá, Rita e Guilherme". Na verdade, está Guilherme e Rita, mas não sei porque saímos Rita e Guilherme.
Estás a ver? Até tu.
"Trago-vos um dilema que levantou questões para mim e para o meu namorado que nunca tínhamos pensado antes, mas antes vou dar algum enquadramento. A minha mãe começou a namorar com o atual companheiro há cerca de três anos. Quando o conheci, não gostei particularmente dele, mas também não tinha nada contra. Parecia-me apenas uma pessoa sem mundo e com uma mentalidade muito limitada. Ao conhecê-lo melhor, fui percebendo que ele é o clichê do macho tóxico, que tem a mania que sabe tudo e soube até que ele tinha traído as namoradas anteriores. Mas mais uma vez, isto não deve condenar uma pessoa logo à partida, porque as pessoas podem mudar". Até agora estou a concordar contigo. "O tempo foi avançando e ao conviver com ele, houve situações que achei descabidas e ridículas, como por exemplo, ele é do Futebol Clube do Porto e não conseguia tocar numa cena do Benfica". Para mais contexto, importa dizer que eu e o meu namorado somos vegetarianos. E no caso, o meu namorado tem o Ministério da Cozinha.
Em casa.
Eu pensei que ele tinha uma graduação de vegetarianismo.
Não, é tipo ter o Ministério da Cozinha em casa.
Então sabe o Ministério da Magia, nos livros do Harry Potter? E no caso, o meu namorado tem o Ministério da Cozinha, por isso é ele quem prepara todas as refeições cá em casa, salvo raras exceções. Este ano eu estava a sentir fazer um aniversário diferente, estar só com a família no dia de anos e depois fazer um piquenique noutro dia no parque da cidade com todos os amigos. Então quando enviei mensagem às nossas famílias, minha e do Tiago, meu namorado, acabei de dizer o nome.
Pois. Olha, deixam ter mal.
Não, eu peço ao Vítor para pôr aqui.
Não.
É? Segue. Então, quando enviei mensagem às nossas famílias, minha e do meu namorado, o recém-marido da minha mãe respondeu o seguinte: "Ok, comida para homens, ok, e televisão", com um emoji de televisão, um emoji a rir e um braço a fazer força. "Comida de modas, já tenho roupa que chegue." E depois pôs uma rosa, umas mãozinhas a rezar e três emojis de língua de fora. "A malta gosta é de umas brasas, sardinha, bacalhau." Eu sinto que esta mensagem tem que ser lida com esta voz. "A malta gosta é de umas brasas, sardinha, bacalhau, cabrito, vitelas, rosões, assados, substâncias e hidratos, era o nome do restaurante se abrir. Polvo." E depois pôs uns emojis a rir e uns corações. Enviei um print do WhatsApp para vocês se deliciarem com os emojis. Escusado será dizer que não respondi a esta mensagem, que me magoou muito. Somos vegetarianos, ninguém da nossa família é, mas recebemo-los sempre com muito carinho e procuramos fazer comidas que eles possam gostar. E verdade seja dita, as nossas famílias sempre adoraram e sempre disseram que vir à nossa casa é uma oportunidade para experimentar comidas malucas. Apesar de não ter respondido, o bebê da minha mãe deve ter feito uma fita e uma semana antes do meu aniversário, fomos almoçar à casa da minha mãe e ela decidiu levantar a questão de nunca servirmos carne e de como isso é falta de cortesia da nossa parte. Devo dizer que fiquei completamente em choque, muito porque a minha mãe era vegetariana até conhecer este namorado. Isso levou a uma discussão chata em que ele termina dizendo que não vai à nossa casa no meu aniversário e nós acabamos por dizer que vamos comprar um frango de churrasco para ele poder comer. Não vá lhe cair o genital por comer um vegetal ou outro, já que vegetariano é comida de meninas. No meu aniversário, ele reclamou de tudo, que a televisão já devia estar ligada quando ele chegasse porque ia dar o jogo de Portugal, que havia pouco vinho e cerveja, que as pessoas não tinham nada de se levantar para ajudar a arrumar, que o bolo era muito doce, mas o frango, ui, o frango estava perfeito. Teve ainda a lata de dizer ao namorado dela: "Este frango que fizeste está espetacular". Toda a gente reparou na indelicadeza dele, inclusive a família do meu namorado, que no dia a seguir me disseram: "Já sabemos como ele é, não lhe damos importância". Confesso que eles não lhe atribuíram importância, me tirou um peso de cima, porque não queria mesmo nada que o namorado da minha mãe, além de me fazer sentir mal a mim ou ao meu namorado, ainda conseguisse ser insuportável para outras pessoas de quem gostamos. Ou seja, espalhar mal onde.
Claro.
Enfim, é um animal. As minhas cadelas portam-se melhor. Vai cagando a frase. Mas o verdadeiro dilema que nos surge daqui, e desculpem este e-mail já ir longo, é: quando vamos à casa de pessoas que comem animais, as pessoas têm o cuidado de nos receber com uma opção vegetariana. Nós, mesmo sendo vegetarianos e não preparando animais em casa, deveríamos receber pessoas sem restrições alimentares com carne e peixe? O que vocês acham?
Ok.
Muito obrigado pela companhia de todas as segundas-feiras. Deixo-vos aqui uma foto da canalha. Depois são os animais deles, que vocês já conheceram exatamente. Pronto, muito bem.
São muito lindos.
Estão aqui os canitos deles os dois.
Olha, é uma excelente pergunta, excelente dilema que elas estão aqui a pôr.
Sim, nós temos que responder primeiro ao dilema e depois eu tenho uma opinião sobre este senhor.
Não, eu quero já a opinião sobre o senhor.
Atenção, eu vou te dizer uma coisa muito simples.
É absolutamente insuportável esta pessoa.
Uma coisa é ele ser um marialva. A minha própria mãe namorou com um senhor que era muito marialva, era uma pessoa complicada porque vinha de uma realidade completamente diferente, falava num tom completamente diferente e nós não temos que comunicar os nossos sentimentos e estar no mundo todos da mesma maneira. É isso que torna a tapeçaria da vida uma sociedade tão pluricultural e tão interessante. Mas há coisas em que começa a ser malcriado. Ou seja, eu não me dava bem com este namorado da minha mãe, mas eu respeitava-o, ele tinha as coisas dele, eu tinha as minhas coisas, e só quando de vez em quando ele passava a linha é que era desconfortável e nós falávamos e havia um bocadinho de confronto. Mas uma coisa é este namorado da mãe da Madalena Sá Fernandes ser sarcástico ou bully com o vegetarianismo.
Sim.
Isso é uma coisa. Ele está sempre a gozar, do gênero, como é que vocês têm força, como é que vocês se levantam de manhã, vocês estão muito brancos. Comam mas é um bicho, vocês têm que roer um animal e não sei o quê. Isso é uma coisa. O gajo ir ao aniversário e a lista de coisas que ele diz.
E não, e ele pedir a televisão já ligada quando antes dele chegar.
Não. Esta lista, só a primeira era suficiente para nunca mais entras na minha casa. Mas a lista C, no meu aniversário ele reclamou tudo, que a televisão já devia estar ligada quando ele chegasse porque ia dar o jogo de Portugal, que havia pouco vinho e cerveja, que as pessoas não tinham nada que se levantar para ajudar a arrumar. Como assim? Ele não está na casa dele.
Exatamente.
Como é que ele sabe como é que é a dinâmica de educação na casa das outras pessoas?
Eu acho que a Madalena Sá Fernandes tem de falar com a mãe.
Mas a mãe claramente está do lado do namorado, porque tendo sido vegetariana, foi mandar bocas de achava mal elas não terem uma opção de carne.
Possivelmente é daquelas pessoas que se molda à pessoa com quem está numa relação.
Pois, e também está a ficar do lado dele porque não quer ostracizá-lo na dinâmica familiar. Agora, há uma coisa que eu vou dizer.
Mas o papel dela, nestes casos, o papel da mãe, é ser a mãe a impor esses limites.
É, mas uma coisa é uma mãe, outra coisa é uma namorada. E se calhar a mãe, como namorada, não tem capacidade de impor esses limites. Tendo como mãe. Percebes o que eu quero dizer?
Não, mas o papel da mãe enquanto namorada e enquanto Matriarca daquela família é a de pôr os pontos nos Is.
Sem dúvida nenhuma.
Um namorado meu não falaria assim com um filho meu.
Como é óbvio, mas o meu ponto é: ela pode saber impor-se como mãe, mas como namorada ser muito mais submissa. São coisas completamente diferentes.
Eu percebo, mas neste caso são as duas a mesma coisa.
Não são, são dois chips diferentes. Uma coisa é eu ser teu marido, outra coisa é eu ser filho da minha mãe. Percebe o que eu quero dizer?
Certo, mas aqui a questão é a imposição enquanto mãe é para defender os filhos.
Certo, está bem, mas não é isso que eu estou a dizer. O que eu estou a dizer é que estamos a concordar.
Sim.
Eu estou a dizer é que o chip da cabeça dela, ela ser como namorada, pode ser muito mais submissa do que como mãe. Sendo que eu acho que está errado.
Claro!
O meu ponto é: esta pessoa, este namorado da mãe, é superdesagradável, é uma pessoa malcriada que está na casa das outras pessoas e não se sabe comportar. Ele não vai dizer na casa das outras pessoas quem é que tem que levantar, a quantidade de cerveja e de vinho que há. Não tem que exigir pratos. Ou seja, esta pessoa não é só um Marialva, que eu até achei que poderia ser uma dinâmica de estar a tentar ser engraçadote. Não, esta pessoa é malcriada, é uma coisa completamente diferente. Esta pessoa é malcriada.
É malcriada.
E portanto, a minha opinião é cortar imediatamente para o mínimo de simpatia e de educação, o contacto com este gajo.
Ya.
Ele nunca mais entrava na minha casa, que essa foi uma experiência tão desagradável.
Não vais ter mais convidado.
E o aniversário passa a ser o aniversário da Madalena São Fernandes, passa a ser: eu faço anos, eu vou aí à casa dar um beijinho.
Exato. Relativamente à questão de se devem preparar ou não animais, eu acho que não faz mal nenhum às pessoas que vão à vossa casa comerem uma refeição vegetariana.
Não, certo.
No sentido em que-
Mas a pergunta dela não é nesse ponto. É nós enquanto vegetarianos, quando recebemos-
Eu sei exatamente.
Estás a perder a paciência comigo, eu não estou a perceber o que é que está a acontecer.
Eu sei exatamente a pergunta.
Estava mais gira há bocado quando tu estavas a rir da minha prestação como ator. Tu agora estás a perder a paciência comigo. Eu acho que agora está a bater as três horas de sono. Estou a sentir no fim do episódio.
É o seguinte, porque tu estás a ser este senhor.
Se há coisa que eu sou é este senhor.
Não, eu percebo isso, mas acho que é diferente. Acho que é diferente as pessoas terem cuidado com, vou chamar restrição alimentar, não no sentido de restrição de saúde.
Condições alimentares.
Condição alimentar. Acho que é diferente eles irem jantar à casa de uns amigos que têm isso em consideração e eles, que por princípio, não preparam animais em casa, serem obrigados a preparar um animal em casa para alguém.
Porque uma coisa é o bufê ter opções, outra coisa é tu ires contra os ideais daquelas pessoas. São coisas completamente diferentes.
É isso. Por isso é que eu acho que às pessoas que vão à casa deles não lhes faz mal nenhum comer uma refeição vegetariana de vez em quando.
Digo-te uma coisa, se eu fosse à casa de muçulmanos, eu não pedia para me prepararem porco.
Exatamente. Nós quando vamos à casa do nosso amigo Jorge e do nosso amigo Emídio, o Emídio é vegetariano e o Jorge às vezes faz uma coisa para o Emídio e uma coisa para nós, mas muitas vezes é o que o Emídio comer, nós comemos.
Exato, é isso. Uma pessoa tem que respeitar, porque eu acho que a questão aqui é nós termos de dar dois passos atrás e olhar para isto de outra maneira, que é: quando tu vais à casa de uma pessoa, tu tens que respeitar as pessoas que estão naquela casa.
Claro.
E eu acho que não há respeito. Eu acho que este senhor não respeita as pessoas que moram naquela casa.
Sim, mas já passámos isso.
Porque se houvesse respeito, quando tu vais à casa de uma pessoa, seja vegetariano, seja muçulmana, esteja em jejum intermitente, o que seja, não consegue comer glúten ou é diabética, não interessa. Quando tu vais à casa de uma pessoa, tu respeitas as características daquela pessoa.
Sim.
Se eu vou à casa de dois vegetarianos jantar, eu respeito que naquela casa se come vegetariano. Se eu não quiser, eu digo: "Olha, podemos ir antes a um restaurante?"
Sim, mas o que eles estão a considerar é: então, mas quando nós vamos à casa de outras pessoas, elas fazem de propósito coisas específicas para nós, nós não devíamos fazer de propósito coisas específicas.
Por isso é que eu disse os ideais ou a moralidade, se nós quisermos.
Claro, porque os omnívoros não têm ideal.
Sim.
Não é?
Sim.
Os omnívoros é tipo, se comes tudo, então come se for vegetariano.
Claro.
Tão simples quanto isso. Eu acho que a Madalena São Fernandes e o seu namorado só deviam convidar para a casa deles pessoas que não os fizessem considerar se estão errados na maneira como recebem pessoas.
Exatamente. A nossa casa é o nosso safe space.
O quê?
A nossa casa é o nosso safe space.
O nosso safe space.
É o nosso safe space, que é o sítio onde nós temos que estar confortáveis, relaxados e a receber quem nós queremos. Tiramos os sapatos, tiramos o sutiã, é o que eu costumo fazer, por esta ordem. E estamos à vontade.
Tiramos as cuecas.
Tiramos as cuecas e mamamos os convidados.
E pomos as chaves do carro à porta.
"Gostas desta carne?" E pomos a carne ao lado do convidado.
Olha aqui este chouriço. Não, Diego.
E eu acho que eu não quero estar desconfortável com as pessoas que eu recebo na minha casa.
É verdade.
E eu percebo que quando são dinâmicas familiares é sempre mais desconfortável, mas no geral, não há razão para uma pessoa ter que sofrer isto. E eu acho que isto devia ser a gota d'água da relação com esta pessoa. A primeira parte sobre a pessoa. A segunda parte é: se vocês têm desconforto moral de preparar animais para as refeições, não têm a obrigação nenhuma de ter animais na vossa casa. E as pessoas que aí vão conhecem-vos e respeitam-vos.
Exato. [email protected] é para onde vocês podem enviar as vossas inscrições para o MocFest no dia 30 de agosto, se ainda não o fizeram.
Se calhar já fizeram. Estavam a ouvir este podcast e já estavam a mandar email.
E também emails como fez a Torda e como fez a Madalena São Fernandes.
Exatamente, com as vossas dúvidas, os vossos problemas. Como vocês veem, temos aqui uma pergunta sobre relacionamento e morar junto. Temos uma pergunta sobre o namorado da minha mãe. Vocês podem mandar problemas da vossa vida, nós esmiuçamos e digladiamo-nos aqui para vocês. Eu acho que é isto.
É isto. Até para a semana.
E agora vais comer milho frito.
Não.
Milho frito.
Não.
Espetada em pau de louro.
Eu vou ali ao computador do nosso amigo Vítor parar isto, Mazé.
Vai lá, carrega aí no espaço. Adeus. Beijinho.
observador




