Evangélicos: ‘Pastor’ que explorava imigrantes em manif do Chega

A 21 de abril, enquanto o Presidente brasileiro, Lula da Silva, almoçava, em Belém, com o seu homólogo português, António José Seguro, duas manifestações antagónicas eram organizadas – a certa distância de segurança entre elas… − no exterior do palácio: uma, participada por cidadãos brasileiros radicados em Portugal, em apoio de Lula. A outra, contra Lula, também composta por cidadãos brasileiros residentes no nosso país, tinha sido, porém, convocada pelo Chega. E, num luzidio friso da primeira fila, ali estava uma forte delegação dos nomes mais sonantes da sua bancada parlamentar. Num empolgado discurso, André Ventura, que tinha largado o fato e a gravata e se apresentava com uma desportiva t-shirt branca com o símbolo do partido ao peito e o nº 1 nas costas, proclamou que Portugal “não é um país aberto à bandidagem”. Minutos depois, confraternizava com o pastor evangélico brasileiro Elizeu Oliveira, indiciado de apoio à imigração ilegal e “gerente” de uma suposta “igreja” ou “assembleia de Deus”, com algumas das suas instalações já desmanteladas pela polícia, que funcionaria num decrépito edifício em Loures, e que, na realidade, alugava quartos, sem quaisquer condições – nem recibos… − a imigrantes ilegais, com uma suposta faturação de dez mil euros por mês.
São dez segundos de confraternização entre o líder político que combate a “imigração descontrolada” e o apoiante que, alegadamente, ajuda a “descontrolá-la”, lucrando com ela. Tudo numa proximidade cúmplice autorizada pela segurança de André Ventura, sempre muito atenta a potenciais ameaças de alegados apoiantes que não conheça bem. A “igreja” do pastor Elizeu, que as imagens captam em entusiasmado diálogo com Ventura, obedece ao conhecido bispo Zaqueu Pereira, várias vezes referenciado como muito próximo e eventual financiador do partido Chega e do ADN, organização partidária liderada por Bruno Fialho e cujo rosto mais conhecido é o de Joana Amaral Dias, outra das personalidades que mais combatem a imigração em Portugal.
Visao




