ETF de bitcoin registam maior retirada mensal de capital de sempre

golden bitcoin, conceptual image for crypto currency
Em junho verificou-se a maior retirada mensal de capital da história em external traded funds (ETF) de bitcoin norte-americanos.
Dados da SoSoValue registaram saídas líquidas de 4,06 mil milhões de dólares (3,56 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) em junho em ETF de bitcoin nos Estados Unidos, ultrapassando o anterior máximo de 3,56 mil milhões de dólares (3,12 mil milhões de euros) registados em fevereiro de 2025, assinala a CoinDesk.
Na semana passada, refere a mesma publicação, foram retirados de ETF do criptoativo 1,79 mil milhões de dólares (1,57 mil milhões de euros), a segunda maior saída semanal desde o início das negociações em janeiro de 2024.
Em maio tinham sido retirados em termos líquidos 2,43 mil milhões de dólares (2,13 mil milhões de euros), sendo que nos últimos dois meses saíram perto de 6,5 mil milhões de dólares (5,7 mil milhões de euros), de acordo com a CoinDesk. Desde o início do ano registou-se saídas de cerca de cinco mil milhões de dólares.
Bitcoin já caiu 44%E estas retiradas de ETF têm tido reflexo no preço a que negoceia a bitcoin. Desde o início do ano o criptoativo já desvalorizou 31,3% e no espaço de um ano já caiu 44%. Atualmente negoceia nos 59.986 dólares (52,590 euros).
O criptoativo tem sido pressionado pela valorização do dólar, e pela expetativa de subidas de taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana (Fed), assinala a publicação financeira Investing.
Em junho uma nota de analistas do JP Morgan, divulgada pela publicação The Block, salientava que os investidores do retalho e os institucionais se estavam a afastar da debasement trade, com a retirada de capital a acelerar na bitcoin e a continuar no ouro.
A debasement trade é a retirada de capital de moedas como o euro e o dólar e a mobilização para outro tipo de ativos como por exemplo o ouro, a bitcoin, ou o imobiliário.
“Observámos uma retirada generalizada da debasement trade tanto por parte dos investidores de retalho como institucionais. Esta retirada da debasement trade continuou para o ouro e, se algo mudou, foi acelerada para a bitcoin nas últimas semanas”, disse a nota da instituição bancária divulgada pela The Block.
A nota destacou também a mudança que se tem verificado nas correlações de mercado. A instituição bancária dizia que a correlação da bitcoin com os rendimentos reais dos títulos do Tesouro norte-americano a 10 anos tornou-se negativa. Isto surgiu na sequência de um movimento semelhante no ouro no início deste ano. O JP Morgan adiantou que a correlação do ouro com o índice bolsista norte-americano S&P 500 aproximou-se da relação tradicionalmente positiva da bitcoin com as ações, indicando que o ouro e a bitcoin se estão a comportar mais como ativos de risco do que como diversificadores de carteiras de investimento.
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