Uma nova arma contra o melanoma e o câncer de mama agressivo: luz em vez de quimioterapia

Cientistas da Universidade Northeastern desenvolveram um método inovador para combater cânceres altamente resistentes — melanoma e câncer de mama triplo-negativo. Usando luz infravermelha próxima e um medicamento ligado a um anticorpo, eles conseguem destruir células cancerígenas sem danificar o tecido saudável. Essa abordagem pode ser um avanço para pacientes nos quais a quimioterapia tradicional falha.
Pesquisadores da Universidade Northeastern, liderados por Fleury Augustin Nsole Biteghe, desenvolveram uma terapia que elimina células cancerígenas com risco mínimo para o tecido saudável. A solução se concentra em dois tipos de câncer particularmente difíceis de tratar: melanoma e câncer de mama triplo-negativo.
Em vez de administrar a quimioterapia sistemicamente — o que leva a efeitos colaterais graves —, os cientistas se concentraram na administração precisa do medicamento diretamente na célula cancerosa. A chave para esse método é o uso de um medicamento sensível à luz ligado à proteína MTf (melanotransferrina), abundante em ambas as células cancerosas.
Na terapia tradicional contra o câncer, os anticorpos são frequentemente usados em combinação com múltiplos medicamentos, o que pode levar a reações autoimunes. "Um anticorpo é como uma chave, e sabemos o que é uma fechadura", diz Nsole Biteghe. Para resolver esses problemas, um único anticorpo e um único medicamento são suficientes, reduzindo significativamente o risco de efeitos colaterais.
Uma pesquisa publicada na revista Cancer Medicine mostra que o uso da fotoimunoterapia – ativação de um medicamento com luz – permite controle preciso sobre quando e onde o medicamento começa a agir.
"Usando apenas um medicamento, aumentamos a eficácia. Isso permite que os médicos correlacionem diretamente o medicamento administrado às células com o efeito terapêutico", explica o cientista.
Esta abordagem inovadora utiliza uma proteína SNAP-tag, que permite a ligação estável e precisa de um anticorpo a um fármaco fotossensibilizante. Todo o complexo atua como uma "bomba terapêutica" inteligente, ativada apenas mediante exposição à luz infravermelha próxima.
"Ao lançar luz sobre ele, cria-se uma bomba no nível celular", diz Nsole Biteghe. Em resposta à luz, o anticorpo produz espécies reativas de oxigênio, que se acumulam na célula e levam à sua morte.
O câncer de mama triplo-negativo é um oponente excepcionalmente difícil: ele não responde a terapias hormonais ou medicamentos que têm como alvo o receptor HER2, o que limita significativamente as opções de tratamento.
– “Devido à falta de alvos moleculares bem definidos, o tratamento é baseado principalmente em cirurgia, radioterapia e quimioterapia”, explica Nsole Biteghe.
No entanto, a quimioterapia é um tratamento invasivo e desgastante. Causa queda de cabelo, náuseas e fadiga crônica, entre outros sintomas, mas frequentemente não produz os resultados esperados. Portanto, desenvolver uma terapia que funcione apenas onde é pretendido pode ser inovador.
A nova tecnologia desenvolvida pela equipe de Nsole Biteghe é um exemplo de como a medicina pode avançar para tratamentos cada vez mais precisos e menos onerosos. Graças à ação local da luz, o medicamento é ativado apenas em um local específico, minimizando o risco de danos ao tecido saudável.
Embora este método ainda esteja em fase de pesquisa, seu potencial oferece esperança a pacientes para os quais a oncologia ainda não oferece respostas eficazes. A luz — algo tão delicado e aparentemente inocente — pode um dia se tornar uma das armas mais poderosas na luta contra o câncer.
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