Quando o treino causa mal-estar estomacal


Ilustração Jasmin Hegetschweiler/NZZ
Correr causa diarreia, andar de bicicleta causa azia e nadar provoca cólicas estomacais – o trato gastrointestinal pode ser afetado pela atividade física. É um assunto comum, mas frequentemente tabu. "Estudos mostram que 30 a 90% dos atletas de resistência apresentam esses fenômenos", diz Nadia Leuenberger, nutricionista da Peak Nutrition.
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Problemas podem ocorrer especialmente durante uma corrida, maratona, triatlo ou ciclismo devido à alta intensidade, duração, posição sentada e movimentos trêmulos. "Mas podem ocorrer em qualquer esporte, pois os atletas ficam mais nervosos antes de uma competição do que em um ambiente de treinamento, ou consumiram alimentos não testados", diz Leuenberger. Joëlle Flück, presidente da Sociedade Suíça de Nutrição Esportiva, acrescenta que a transpiração intensa e a consequente deficiência eletrolítica também podem afetar o trato gastrointestinal: "O espectro desses problemas é amplo."
O que fica no estômago não serve para nadaSegundo Samuel Mettler, nutricionista esportivo da Universidade de Ciências Aplicadas de Berna, embora o exercício e a atividade física tenham um efeito positivo no sistema digestivo, o exercício intenso redistribui o fluxo sanguíneo para os músculos, reduzindo assim o desempenho intestinal. "Isso torna o corpo mais sensível a alimentos difíceis de digerir."
Um erro a evitar é comer demais e muito perto do treino. "Qualquer coisa que fique no estômago é inútil porque os nutrientes não chegaram ao corpo, e muito conteúdo estomacal pode causar náuseas e vômitos", diz Mettler. Sua última refeição deve ser planejada cerca de quatro horas antes do treino. "Recomenda-se uma refeição de fácil digestão, composta por carboidratos como macarrão, pão ou muesli. Você deve economizar em fibras, gorduras e proteínas. As pessoas costumam se alimentar de forma muito saudável, mas uma salada ou um prato de vegetais antes de um treino intenso pode ser um fardo."
Joëlle Flück acrescenta que alimentos geralmente considerados não saudáveis podem ser essenciais na prática esportiva. "Alimentos de rápida digestão e açúcar são ideais antes de exercícios intensos, como um pedaço de pão branco com mel por cima." Café, álcool, bebidas gaseificadas ou ácidas e temperos picantes devem ser evitados, pois podem promover arrotos. Flück diz: "Mas isso é muito individual, e você deve prestar atenção desde o início ao que pode ou não tolerar. Para alguns, pepperoni ou sucos de frutas causam arrotos, enquanto outros sentem náuseas com laticínios."
O plano nutricional ideal"A ingestão de alimentos deve ser cuidadosamente planejada, dependendo do momento e da intensidade do treino", diz Leuenberger. Atletas muitas vezes percebem dez minutos antes da hora marcada para a competição que não comeram nada. "Nesse momento, géis, bebidas ou barras esportivas podem ser usados", diz Leuenberger. No entanto, isso não se aplica se a intensidade for curta e o alimento tiver sido consumido previamente. "Se a sessão de exercícios durar mais de duas horas, com o objetivo de atingir o desempenho máximo, esses produtos esportivos são uma boa opção. Eles ajudam o corpo a absorver uma quantidade significativa de energia, que pode ser rapidamente convertida em energia."
Para uma preparação ideal e saudável para o treino de resistência, a nutricionista recomenda um café da manhã com foco em carboidratos, como pão ou aveia, ou um cereal com um punhado de frutas e um pouco de queijo quark. "Um copo d'água e um café (se você tolerar) ou chá sem açúcar podem ser tomados com ele." Uma hora antes do exercício, outro lanche deve ser consumido, como um bolinho de arroz, um sanduíche pequeno, uma banana ou frutas secas. O tempo de deslocamento entre o escritório e o local do treino também pode ser usado para essa nutrição. "Uma bebida com cafeína pode ser consumida com isso", diz Leuenberger. Desde o início do exercício, os líquidos devem ser consumidos em pequenos goles.
Em casos de problemas gastrointestinais recorrentes ou sintomas graves, como sangue nas fezes, cólicas abdominais inexplicáveis, diarreia intensa e perda de peso, a avaliação médica é essencial. "E se os problemas gastrointestinais forem decorrentes de nervosismo, o apoio psicológico pode ajudar", diz Mettler.
Preparando os intestinos para competiçõesO corpo não precisa apenas ser treinado para o desempenho atlético e as competições. Segundo o nutricionista esportivo Samuel Mettler, o corpo também precisa se acostumar à situação nutricional. "Essa situação clássica ocorre em uma maratona: alguém passou o inverno inteiro se preparando sem comer ou beber durante o treino." Se essa pessoa bebe uma bebida esportiva durante a maratona na primavera, seu estômago não está acostumado e se rebela. "O que pretendo comer ou beber durante uma competição, também preciso incorporar ao meu treino", diz Mettler.
Joëlle Flück também enfatiza a importância do treinamento intestinal: "Você pode preparar o trato gastrointestinal, por exemplo, em relação à ingestão de líquidos e carboidratos." Só assim o corpo pode estar preparado para processar as quantidades necessárias durante uma competição. Flück diz: "A forma como você come e bebe durante a corrida ou o ciclismo, e em que intervalos, também deve fazer parte do seu treinamento."
Segundo Mettler, o corpo também pode se acostumar a certos componentes nutricionais. "Se você não tolera uma bebida esportiva na primeira vez, isso não significa que você precise eliminá-la completamente da sua dieta." No entanto, ele recomenda que pessoas com estômagos sensíveis preparem suas próprias bebidas esportivas ou procurem aconselhamento profissional. E Flück enfatiza que você não precisa evitar completamente o iogurte só porque não o tolera antes do treino; você deve simplesmente evitá-lo naquele momento.
Um artigo do « NZZ am Sonntag »
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